Nós nos viramos e vimos Heitor parado no vão da porta. O que raios ele estava fazendo ali?
— Senhorita Carolina, e senhor Miller, o que fazem? — Diz ele com uma voz seria, por mais que Heitor seja gay, ele tem muito ciúmes de mim, eu acho que é proteção ou preocupação.
— Nada Heitor, o que está fazendo aqui? — Digo me soltando completamente de Victor.
— Vem, vamos para casa Carol. — Heitor diz olhando friamente para Victor. Reviro os olhos.
— Não posso Heitor, estou trabalhando ainda. — Ele riu ironicamente.
— Na boca dele? — Arregalei meus olhos em surpresa. Ele apontou para Victor que assistia tudo calado.
— Heitor! Pelo amor de Deus. Vamos logo para casa, antes que eu seja demitida. — Puxei a mão de Heitor tirando ele da sala do Victor. Peguei minha bolsa, desliguei o computador, dei uma ajeitada na minha mesa e sai acompanhada por Heitor.
— Carolina…, — O cortei antes que ele pudesse continuar.
— Não fode Heitor. Se eu for demitida, você vai dar seus pulo com ele. —Heitor me olhou sério e deu partida no carro. Em silêncio seguimos até o Apartamento do Heitor.
— Antes que você me mate, eu fiz aquilo por que ele é muito galinha e você merece coisa melhor que ele. — Dei risada, sentei do seu lado no sofá e lhe dei um beijo na bochecha.
— Heitor, foi apenas um beijo, ele é lindo e gostoso, mas não é o tipo de cara que se apresenta para os pais. — Disse e dou-lhe uma piscadela.
— Eu sei…, mas a lábia daquele maldito é muito boa. Ele é meu chefe, e tudo, mas toma cuidado. Só isso que eu peço. — Anui abraçando-o.
— Não se preocupe comigo. Mas, me conta, tem boy na área? — Falei com malicia. Ele suspirou e riu.
— Tem um carinha lindo, mas é ô cara lindo, ele trabalha na empresa também sabe, e o melhor de tudo ele se assumiu gay recentemente. Eu sei que agora ele só está procurando diversão, mas eu também, então podemos juntar ambos interesses. — Dei um gritinho feliz. — Mas, me conta você, o que rolou entre você e o Miller? — Arqueei minha sobrancelha.
— Até alguns minutos atrás você todo preocupado, dizendo “cuidado”, e agora quer saber dele, “tô” te estranhando em. — Ri de sua careta.
— Me erra Carolina, me erra e conta tudo para mim. — Me concertei no sofá e olhei para ele.
— O que quer saber? — Ele revirou os olhos
— Tudo? — Bufei. — Ok, começa me contando como é beijar ele? —
— Não sei. Alguém me atrapalhou né? — Ele me olhou e bufou. Dei uma risada e o olhei. — Ele beija bem, tipo muito bem. — Ele deu um grito de felicidade. Conversamos muito, quando percebemos que já passava de meia noite, fomos dormir. Acordamos fomos fazer nossas necessidades, terminei de fazer as mesmas e coloquei um vestido preto, um salto preto e fiz uma make razoável
Heitor me deixou na empresa um pouco antes das sete da manhã e seguiu para o seu escritório. Passei pelo Hall batendo ponto e subi para o andar da presidência. As imagens de ontem se passam pela cabeça me fazendo ficar envergonhada.
— Fingir que nunca aconteceu, nunca aconteceu nada. — Murmurei para mim mesma enquanto andava em direção a minha mesa.
Não tive coragem de ir na sala de Victor para ver se ele havia chegado, minha timidez e covardia me impedia. Liguei meu computador e comecei a trabalhar em documentos que não tinha terminado ontem. Realmente havia muito trabalho e uma agenda cheia de compromissos que não podiam ser remarcados nem se eu quisesse.
Meia hora depois a porta atras de mim abriu mostrando um Victor com um sorriso desleixado nos lábios.
— Senhor? Não percebi que tinha chegado. — Falei me virando na cadeira para ele.
— Eu vi isso senhorita Reis. — Pigarreei desconfortável.
— Pode me chamar de Carolina se quiser, eu até prefiro na verdade. — Ele anui lentamente passando a mão pela barba.
— Ok Carolina, assim que tiver todos os meus compromissos leve a minha agenda na minha sala. — Anui pegando a agenda dele e abrindo os e-mails para conferi-los. Me levantei e fui até a sua sala passei seus compromissos do dia e voltei a trabalhar.
Momentos depois minha atenção foi roubada por Heitor que estava em pé me olhando com um sorriso no rosto.
— O senhor Miller está? — Neguei.
— Ele saiu senhor Carvalho, foi para uma reunião, mas já deve estar chegando. — Sorri para Heitor.
— Então acho melhor espera-lo, não concorda senhorita Reis? — Anui achando graça de todo o seu modo cordial. — Enquanto ele não vem poderíamos ir conversando não acha? Já que nossa noite de ontem foi ótima. — Antes que eu pudesse responder, alguém responde por mim.
— Não poderia não, agora senhorita volte ao trabalho, e senhor Carvalho me acompanhe. — Heitor passou por mim e me deu um beijo na bochecha.
Ontem o Heitor começou a achar que por algum motivo o senhor Miller estava atraído por mim, apesar de dizer que não, o Heitor teve a digníssima ideia de ver se Victor tinha ciúmes. Como eu sou uma pessoa que não gosta de confusão deixei ele ser feliz procurando algo que não existe, e quem sabe assim ele não tira essa ideia da cabeça não é mesmo?
Saio dos meus devaneios com alguém me chamando
— Ou querida? fala para o senhor Miller que eu estou aqui esperando por ele. — Fala uma loira com a voz aguda.
— Ok, e qual é o seu nome? — Perguntei abrindo um e-mail para enviar para Victor.
— Evelyn Santiago a responsável pela contabilidade e a futura dona disso tudo. — Dona disso tudo? Mais que p***a que ela está falando?
— Ok, olha senhorita Santiago, o senhor Miller estar com o advogado, o senhor Carvalho, então sente-se ali e aguarde, assim que eles terminarem eu te anuncio. — Digo sorrindo sínica e ela se irrita e entra na sala Filha da p**a. Se ele vier falar um A comigo eu o mato.
— Me desculpe senhor Miller e senhor Carvalho, eu tentei, mas ela não me ouviu. — Digo fuzilando a vaca com o olhar.
— Tudo bem senhorita Reis, Heitor pode ir e segue meu conselho que é melhor, e senhorita Santiago o que quer? — Heitor saiu e logo me preparei para ir atrás dele.
— Eu vou dar licença para vocês conversarem melhor. — Digo e coloco a mão na maçaneta.
— Claro querida, assim é melhor. — Diz aloira do banheiro versão britânica.
— Não, pode ficar. O que a senhorita Santiago irá falar vai ser rápido correto? — Diz a cortando.
— Claro. — Sorriu falsamente. — Então é que eu vi que algumas de nossas filiais no Brasil estão com alguns problemas. —
— Quais problemas e porque não ligaram para minha secretária e sim para você? —
— Porque é sobre a parte de finanças e contabilidade da empresa. — A mulher falou e tive que concordar e discordar dela.
— Mas ele é o dono dessa empresa e de todas as filiais, o mínimo era terem ligado para ele. — Quando percebi já tinha falado. Engoli em seco percebendo o olhar de ambos em mim.
— Senhorita Reis, reserve dois quartos no Brasil nas cidades de... — O cortei antes que ele pudesse continuar.
— Senhor espera um momento que eu vou pegar a agenda— Saí da sala, fui até minha mesa peguei a agenda e voltei. — Pronto. —
— São as cidades de Rio Grande do sul, São Paulo e Rio de janeiro, em cada lugar em que você for alugar, alugue apenas para dois dias, apenas no Rio de Janeiro para quatro dias partiremos daqui a dois dias. Pode ir senhorita Santiago. — Ela bufa e sai. — Agora somos eu e você senhorita Reis. — Sorri.
— Eu vou organizar as passagens. Precise que eu vá? — Ele anuiu me olhando sério. — Licença.
(…)
Peguei minha bolsa e me levantei me preparando para ir embora quando a porta da sala de Victor me chama atenção.
— Estou indo embora, precisa de algo? — Ele sorriu e negou.
— Não. Pode esperar. Aliás, me espere vou te levar para a sua casa. — Anui. Não sou boba, sei que meu irmão já havia ido embora e uma carona com ele não ia me fazer m*l.
Segundos depois Victor voltou e fomos em direção ao estacionamento.
— Vai para onde? — Ele me perguntou assim que entramos dentro do carro.
— Para a casa do Heitor. Espero que eu não esteja te atrapalhando muito. —
— Está tudo bem, onde o Heitor mora é no mesmo prédio que eu vivo. — O apartamento do Heitor fica no mesmo prédio que o do meu chefe. O destino quer me f***r só pode.
— Está tão calada o que é? — Pergunta o meu chefe.
— Nada, eu só estava pensando na viagem de amanhã. — Seguimos o resto da viagem em silêncio.
Chegamos no prédio e entramos pela garagem. Saltamos do carro e seguimos para o elevador em silêncio. Apertei o andar o Heitor e ele o dele e aguardei até chegar no andar.
— Obrigada pela carona, até amanhã senhor Miller. — Me despedi dele indo em direção ao apartamento do Heitor