Capítulo dois: Obrigada

874 Words
Acordo com minha cabeça ardendo e latejando, me levanto e olho para o quarto em que me encontro, as paredes eram em um tom cinza escuro quase indo para o preto, a televisão em frente a cama tinha um vídeo game associado nela. Olhei para o lado e vi ternos, muitos ternos pendurados em cabides e ali tive a constatação de que nunca vi esse quarto na vida e que era de um homem.  Pulo da cama e olho pra baixo, p***a de lingerie? Pode piorar? A porta se abriu mostrando o senhor Miller segurando uma bandeja com algumas comidas e uma flor. Por reflexo puxei o lençol e cobri meu corpo. — Bom dia. — Ele saudou colocando a bandeja em uma escrivaninha que não tinha reparado. Olhei para ele e não disse nada. Que eu não tenha transado com ele. — Pode usar o banheiro, tomar um banho. Te empresto uma roupa minha. — Anui apertando o lençol ao meu redor. Fui para o banheiro tomei um banho rápido, escovei os dentes com uma escova nova que achei por lá, vesti a mesma roupa, porém sem calcinha, e saí do banheiro. O senhor Miller estava sentado na cama mexendo no celular, pigarreei chamando sua atenção. — Eu não quis entrar no banheiro para te atrapalhar. Aqui estão as roupas, pode tirar esse vestido. — Anui voltando para o banheiro com as roupas. Coloquei elas encima do vaso sanitário e me olhei no espelho, estava envergonhada e confusa não entendia o que estava acontecendo. Meu chefe estava ali, me dando roupas, me levando café da manhã na cama, sendo simpático e me dando sorrisos. Merda! Vesti a blusa do moletom que ficou nos meus joelhos, saí do banheiro envergonhada de certa forma. — Obrigada pelas roupas. — Ele anuiu e se levantou pegando minha mão. — Precisa comer primeiro antes de tomar remédio para dor de cabeça. — Me sentei a sua frente na cama. Victor pegou a bandeja e a colocou em nosso meio. — A vontade.             Peguei uma torrada e levei em meus lábios mordendo um pedaço. Olhei para Victor com receio. Deus, que seja da sua vontade que eu não tenha ido para a cama com ele. — O que aconteceu ontem? — Perguntei depois de engolir a torrada. Foi difícil, mas desceu. — Nada. Você dançou e bebeu muito. — Anui olhando ao redor.  — E por que eu estou aqui? — Ele tirou a torrada da minha mão e colocou na bandeja da cama e a depositou na escrivaninha. —  Por que você dormiu no meu carro e eu tive que te trazer para cá. — Olhei para ele confusa entendendo nada. — Você bebeu muito, tinha um cara quase se aproveitando de você, te levei para fora da boate, discutimos, te coloquei no meu carro e você apagou. Não vi o seu irmão e te trouxe para cá. Não se preocupe, eu avisei seu irmão sobre o que tinha acontecido hoje de manhã. — Estava estupefata com as informações que tinha me passado. * Victor narrandoPodem me chamar de cuzão por ter omitido algumas informações sobre a noite passada, mas foi melhor assim.  Ela aparenta ser muito sensível, e eu não escondi muitas coisas. Quando terminamos de comer, demos um tempo e a levei para sua casa. No caminho ela foi em silêncio, talvez esteja absorvendo as coisas ainda, ou só não quer papo. — Até segunda. — Ela sorriu para mim e entrou. Segui para casa da minha irmã para busca-la antes de irmos para casa do meu pai.  Destranquei a porta e vi que estava tudo escuro e silencioso. — Meu deus a casa está pegando fogo! Anda Louise. — Grito da sala e espero ela descer gritando. — Essa é velha Victor! Já estava acordada antes de você chegar, só não queria vir te ver. — Pisco para ela que vai até a cozinha e volta. — Vamos? — Anui concedendo passagem para ela. — Um dia eu vou conseguir. — Ela joga a cabeça para trás e ri. — Pode tentar o quanto quiser.  — Ela ligou o rádio em seu celular e começou a me torturar com aquilo que ela chama de música. — Tira disso. Coloca uma música de verdade pelo amor de Deus. — Ela cruza os braços me olhando. — O que eu ganho em troca? — Paro o carro no sinal e a olho. — Uma bolsa? — Ela estreita os olhos e bufo. — Te dou meus chocolates de hoje. — Ela sorri e muda a música. Coitada se pensa que eu vou dar meus queridos chocolates que a Mari faz…, coitada. — Ok, me convenceu. — Lhe dou uma piscadela e sigo com o carro quando o sinal abre. Chegamos em frente à casa do nosso pai e logo entramos sendo acompanhados por Mari, depois de perguntas e mais perguntas vindo por parte dela vou até meu pai em seu escritório. — Filho, não te ouvi chegar. — O abracei. — Como está pai? — Velho e cansado. Quero netos Victor. — Me distanciei dele. — Pai, começa não. Quando for a hora, saberá. — Mesmo a contragosto ele assentiu. — Tudo bem. Vamos descer. 
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