Heloísa narrando Assim que cheguei à barreira com a Mariana, estacionei o carro um pouco mais afastado. Preferi fazer o restante do caminho a pé. A música do baile já ecoava pela comunidade, misturada ao burburinho das pessoas e ao rádio dos vapores que faziam a contenção. Assim que me aproximei, reconheci um dos meninos na barreira. Era o Fabinho. Anos atrás, estudamos juntos. Naquela época, nossa maior preocupação era passar de ano. Hoje, ele carregava um fuzil atravessado no peito e fazia a segurança da entrada da comunidade. Assim que me viu, caminhou até mim. — Patroa... Sorri de leve. — Oi, Fabinho. Ele retribuiu o sorriso, mas logo ficou sério. — Aconteceu alguma parada? Balancei a cabeça. — Não. Estou esperando uma pessoa. Assim que ele chegar, vocês liberam a entrad

