Nos dias que se seguiram, Helena tentou se manter ocupada. O trabalho no posto de saúde ajudava a desviar os pensamentos, mas não o suficiente. Cada vez que via um morador do morro, cada vez que ouvia os burburinhos sobre Chacal, o dilema voltava a assombrá-la. Ela não podia ignorar o fato de que, apesar de tudo, sentia-se viva ao lado dele de uma forma que nunca havia experimentado antes. Naquela tarde, enquanto atendia uma senhora que tinha levado o neto para tratar um machucado, Helena ouviu passos pesados se aproximando. Ela não precisou se virar para saber quem era. O perfume amadeirado que agora fazia parte do seu dia a dia invadiu o pequeno espaço, e ela soube que Chacal estava ali. — Helena. — A voz dele era grave, baixa, mas suficiente para fazê-la parar o que estava fazendo. E

