Maíra Narrando Quando Davi me chamou de mamãe, pulando nos meus braços e falando que a vovó dele estava irritada, meu coração apertou na hora. Aqueles olhinhos marejados me desmontaram por dentro. Como não amar essa criança? Quando Pedro pediu para eu subir com ele, vi o medo nos olhinhos do Davi e não pensei duas vezes. Apertei ele nos meus braços, levei pro quarto, deitei ele na cama e liguei a TV. Me ajeitei ao lado dele, e ele ficou me encarando por um tempo. Eu segurei o olhar, mas logo a imagem daquela desgraçada da mãe dele veio na minha cabeça. Será que ela merecia morrer? Eu não sei... Mas aquilo ali nem podia ser chamado de mãe. Davi tirou os olhos da TV e se aninhou no meu corpo, afundando o rostinho no meu pescoço. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo o cheirinho dele.

