Maíra Narrando O silêncio do carro só fazia o barulho na minha cabeça ecoar mais alto. As palavras do Miguel ainda rodavam na minha mente como um eco interminável. "Tu é minha." Aquilo grudou na minha memória, martelando junto com o fato de que ele não era só o sócio do meu pai, nem apenas o homem que mexeu comigo de um jeito que ninguém nunca tinha mexido. Ele era muito mais. Mais perigoso. Mais complexo. Mais... dele. Marcela olhou de canto, percebendo o meu silêncio. Ela sempre soube ler o ambiente. — Tá bem, Maíra? — a voz dela veio suave, mas cheia de curiosidade disfarçada. Forjei um sorriso rápido, desviando o olhar da estrada por um segundo. — Tô sim. Só cansada. — Ela respirou fundo, juntando o cabelo no alto da cabeça e fazendo um coque frouxo. Depois, se ajeitou no banco,

