Marcos Andrade chegou ao escritório de Otávio pouco depois das oito da noite, como havia sido solicitado. Diferente das visitas protocolares, daquela vez não passou pela recepção com cumprimentos longos nem conversas triviais. O clima exigia discrição. A secretária apenas anunciou: — O Dr. Marcos já chegou. Otávio mandou entrar imediatamente. Marcos entrou com uma pasta preta de couro debaixo do braço. O terno impecável, o rosto sério, profissional demais para quem acabava de concluir um serviço que beirava o limite do ético — ainda que, para ele, estivesse acostumado a caminhar nessa linha fina. Otávio estava de pé, perto da janela de vidro que dava vista para a cidade iluminada. Um copo de uísque na mão, intacto. Ele não bebeu. — Você demorou — disse, sem se virar. — Eu precisava

