A madrugada ainda estava espessa quando Sofia acordou com o corpo em alerta. Não foi um sonho. Não foi barulho. Foi o enjoo, vindo forte, acompanhado de uma azia que queimava do estômago até a garganta. Ela levou a mão ao peito, respirou fundo, tentando controlar a náusea. O quarto estava escuro, silencioso demais, e por um instante ela pensou em chamar alguém. Pensou em chamar ele. Mas desistiu. Não queria incomodar. Não queria parecer fraca. Já dependia demais. Sentou-se na cama devagar, esperando o mundo parar de girar. Quando colocou os pés no chão, sentiu um leve tremor nas pernas. A gravidez estava avançando, o corpo já não obedecia como antes. Ainda assim, levantou. Precisava de água. Precisava do remédio que a médica tinha deixado separado. Abriu a porta do quarto com cuidado.

