A manhã passava rápido, Imperador e Caíque conferiam o recolhe, as mercadorias. A rotina era a mesma, o trabalho. Nada passava por eles despercebido. A tarde já tinha engolido o morro quando Imperador se sentou na cadeira dura da sala da boca. O ambiente estava mais silencioso que o normal, só o som distante de uma moto cortando a viela e o rádio baixo em alguma casa próxima. Na mesa, um notebook aberto, dois celulares e um caderno velho cheio de anotações. Caíque encostou na parede, braços cruzados, observando a tela. — Esse cara não é limpo — disse Imperador, sem tirar os olhos do notebook. — Ninguém daquele nível é. — Concordo — Caíque respondeu. — Rico demais, certinho demais. Sempre tem sujeira escondida. Imperador clicou em mais uma aba. Reportagens antigas, matérias econômicas,

