Imperador saiu da sala da boca com o rádio ainda chiando baixo, o barulho metálico se misturando aos sons do morro no fim de tarde. Caíque veio logo atrás, fechando a porta com cuidado. Nenhum dos dois falou nada. Não era silêncio de tensão — era aquele silêncio carregado de pensamento, de quem anda com a cabeça cheia demais. — Vamos pela de trás — Imperador disse, por fim, ajustando o boné. — A principal tá cheia hoje. Caíque assentiu. Conhecia aqueles atalhos desde moleque. Vielas estreitas, escadas improvisadas, becos onde só quem era do lugar passava sem pensar duas vezes. Era o caminho mais rápido e, ao mesmo tempo, o mais invisível. Desceram alguns metros, cortaram à esquerda, subiram uma rua e seguiram em paralelo, cada um já pensando na própria casa. Imperador guiava a moto c

