A manhã de segunda-feira começou silenciosa no 27º andar do edifício empresarial, onde ficava o escritório de Otávio. A sala ampla, cercada por vidros fumês e mobília minimalista, contrastava com o humor carregado dele. Nada parecia tirá-lo da obsessão que vinha crescendo desde o sábado: Renata. Ele sequer tomou café. Passou os primeiros minutos folheando relatórios que não leu, girando a caneta entre os dedos, reclamando mentalmente da lentidão do seu único aliado nessa investigação. Às nove e trinta em ponto, a porta se abriu com a discrição habitual do secretário: — Senhor, o Dr. Marcos já chegou. — Mande entrar — respondeu Otávio sem desviar o olhar da janela. O advogado entrou. Marcos Andrade, quarenta e poucos anos, terno impecável, pasta de couro nas mãos. Era um dos melhores n

