O Morro da Babilônia estava diferente naquela tarde. Não era o barulho — esse sempre existia, vindo de algum lugar, seja um rádio ligado, crianças correndo, motos subindo as vielas. Era o clima. Uma sensação de alerta misturada com expectativa, como se o morro inteiro estivesse prendendo a respiração. Dedé subiu devagar, respeitando cada curva, cada olhar atento dos vapores nos pontos estratégicos. O carro passou pela primeira barreira, depois pela segunda. Os homens já sabiam quem ele era, mas mesmo assim conferiam tudo. Ali, nada entrava sem ser visto. Marta observava tudo pela janela, com o corpo rígido. Nunca tinha estado ali antes. Nunca imaginou que pisaria num lugar como aquele — não daquele jeito. O coração batia acelerado no peito, não só pelo medo do que tinha deixado para tr

