A sala estava tomada pelo calor pesado do fim de tarde. O sol do Rio entrava pelas janelas abertas sem pedir licença, e mesmo com as cortinas claras balançando devagar, o ar parecia grudado na pele. Sofia estava sentada no sofá, vestindo um vestido leve, antigo, que já não escondia a barriga arredondada. O rosto estava corado, uma mecha de cabelo colada na testa pelo suor. Renata já tinha ido embora com Caíque, ela queria ficar deitada, pensando. Imperador estava a alguns passos dali, encostado na parede, observando em silêncio. Não dizia nada, mas reparava em tudo: no jeito como ela mudava de posição a cada minuto, no suspiro contido, na mão que vez ou outra buscava a lombar. — Tá muito quente… — Sofia murmurou, mais para si do que para ele. Ele arqueou levemente a sobrancelha. — Que

