O ônibus balançava a cada buraco da avenida como se quisesse me lembrar que, mesmo quando tudo parece parado, nada realmente está. A manhã ainda estava nascendo, a claridade entrando pelas janelas riscadas, misturada ao cheiro de diesel, suor de gente acordando cedo demais e o barulho metálico das catracas sendo empurradas. Eu estava sentada perto da janela, com a mochila no colo, mãos apertadas ao redor da alça. Meu corpo estava ali, indo pro trabalho no asfalto, mas a minha cabeça… a minha cabeça estava presa lá em cima, no barraco, com Sofia. E o peso disso tudo parecia aumentar a cada quilômetro. A imagem dela encolhida na cama, tentando se fazer menor do que já estava, não saía da minha mente. Os olhos assustados. A respiração curta. Uma mão na barriga — não por carinho, mas por me

