O convite chegou do jeito que as coisas sempre chegavam no morro: sem papel, sem selo, sem formalidade. Veio pelo rádio, pela boca certa, no tom respeitoso de quem sabia com quem estava falando. — Baile hoje à noite, lá no Morro do Cruzeiro. — informou o vapor, parado à porta da sala. — Dono caiu da cadeira e vazou. Comunidade vai comemorar. Baile fechado. Só cria. Imperador estava sentado à mesa, mexendo no celular sem realmente prestar atenção. Caíque, encostado na parede, ergueu o olhar na mesma hora. — Cruzeiro é aliado — comentou Caíque. — Baile fechado é sinal de que querem mostrar força… e paz. Imperador ficou em silêncio por alguns segundos. Pensava rápido, como sempre. Baile era celebração, mas também era vitrine. Olhos, alianças, mensagens silenciosas. Ainda assim, recusar po

