A rua estava quase deserta quando Marta chegou ao orelhão enferrujado na esquina. O vento frio da noite balançava as folhas das árvores, e cada sombra que se mexia a fazia olhar por cima do ombro. Ela tinha saído da mansão com pressa, sem levar quase nada, apenas a coragem e o medo pulsando juntos. Otávio já devia ter chegado em casa. Já devia ter visto o vazio. E já devia estar sabendo que Sofia fugiu. E se havia uma coisa que aterroriza Marta mais do que a violência dele… era a vingança dele. Com a mão trêmula, ela pegou o telefone velho. Apertou o gancho duas vezes, torcendo para que ainda funcionasse. Funcionou. Ela discou o número de Renata de memória — o único número que sabia que poderia ajudar Sofia… e o único que agora colocava a própria vida em risco. O telefone chamou trê

