Caíque recolheu os pratos da mesa e decidiu mostrar o quarto de Renata. O contraste como sempre batia forte: a casa ampla, organizada, com móveis novos e bem cuidados — tudo fruto dos anos que ele tinha no morro, o respeito que conquistou, o posto que ocupava. E agora ela, com uma mochila pequena na mão, tão leve que parecia de alguém que estava apenas passando, não começando uma nova vida. Ele caminhou pela sala e fez um gesto com a mão. — Vem, Rê… teu quarto é aqui. Renata o seguiu pelo corredor comprido, iluminado por luzes embutidas no teto. O chão de madeira rangia baixinho sob as botas de Caíque enquanto ele andava, e Renata vinha logo atrás, ainda tímida, ainda assimilando tudo. Quando chegaram na última porta do corredor, Caíque a abriu devagar. — Pode entrar. O quarto era s

