Marta caminhava rápido pela rua estreita que cortava os fundos do bairro, mantendo o capuz rente ao rosto enquanto sentia o vento frio bater contra a pele. A cidade estava em um daqueles fins de tarde que pareciam suspensos no tempo, com o céu metade lilás, metade cinza, e uma sensação de que algo estava prestes a desabar. Talvez fosse só o clima. Talvez fosse ela. A verdade é que Marta já não conseguia distinguir o que vinha de fora e o que vinha de dentro. Há dias vivia como uma fugitiva. Dormia m*l, comia pouco e pensava demais, sempre demais. Qualquer barulho a fazia virar o rosto bruscamente: uma moto acelerando mais do que o normal, um portão batendo forte, um grupo de homens conversando alto demais na esquina. Tudo soava como ameaça. E, no fundo, era. Desde que Sofia desaparecera e

