A boca estava movimentada naquela tarde, muleques correndo de um lado para o outro, rádio chiando, moto subindo a ladeira engasgando. Nada disso impedia Jéssica de entrar como se tudo ali fosse passarela e ela, a estrela principal. Ela nasceu e cresceu na Babilônia. Nunca teve vergonha disso — pelo contrário, usava como argumento. Sabia como falar, como se portar, como sobreviver naquele lugar. E sobreviver, pra ela, sempre significou usar o que tinha: seu corpo. Sempre foi assim. Desde cedo, aprendeu que um olhar certo, uma roupa curta, um sorriso m*****o, abriam portas que dinheiro nenhum conseguiria abrir. E se havia alguém no morro que ela queria conquistar — mais até do que conquistar dinheiro, status ou p******o — eram os dois homens que comandavam tudo ali: Imperador e Caique.

