A manhã começou antes mesmo do sol tocar as janelas da casa ampla demais, silenciosa demais, vazia demais. Otávio estava acordado desde as quatro, sentado na beira da cama, ainda com a roupa do dia anterior, encarando o nada com os olhos vermelhos de exaustão — e raiva. Ele não pregara os olhos.Não havia conseguido. A casa parecia zombar dele. Cada canto, cada sombra, cada objeto parado lembrava o que havia acontecido: Sofia sumira. A empregada sumira. E ninguém, absolutamente ninguém, tinha dado qualquer rastro. Otávio nunca foi um homem que aceitava o desconhecido. Ele era o tipo que comprava, mandava, destruía ou moldava tudo até caber exatamente onde ele precisava. E agora nada cabia. Nada obedecia. E isso estava corroendo a pouca calma que restava. Assim que o relógio marcou cinco

