A porta do barraco bateu atrás de Jéssica com força, fazendo a madeira tremer. Ela saiu ajeitando a roupa amassada, o cabelo desgrenhado, o batom borrado. O ar abafado da madrugada grudava na pele suada, e a luz fraca do poste oscilava, lançando sombras tremidas no beco. O dinheiro que Imperador jogara para ela pesava no sutiã. Mas o peso maior era a frase dele ecoando na cabeça: “Tu nunca vai ser fiel de ninguém. Tu é só isso.” Ela engoliu a raiva, ergueu o queixo e deu três passos antes de ouvir a voz grave que conhecia bem. — Tá bonito isso, hein? Ela parou e virou devagar, Caíque estava encostado na parede, braços cruzados, expressão neutra — mas os olhos… ah, os olhos diziam tudo. Ele tinha visto. Ele sempre via.Jéssica tentou disfarçar a postura quebrada. — Que foi, Caíque? Va

