O fim da tarde caía pesado sobre o morro. O calor grudava na pele, o céu alaranjado anunciava mais uma noite abafada no Rio. Sofia estava sentada na sala, os pés inchados apoiados numa almofada, abanando o rosto com uma revista velha. A barriga pesava mais naquele horário, sempre pesava. Imperador ainda não tinha chegado da boca. Ela tentava se distrair, mas uma inquietação estranha rondava o peito desde cedo. Não era dor, não era enjoo. Era aquela sensação r**m de estar sendo observada, mesmo sem ninguém por perto. Quando o interfone tocou, Sofia se assustou. — Quem é? — perguntou, a voz insegura. — Entrega, dona — respondeu um rapaz do portão. Ela franziu a testa. Não esperava nada. Caminhou devagar até a porta, abriu só o suficiente. O entregador segurava um buquê enorme. Flores

