A segunda-feira amanheceu pesada no Morro da Babilônia.O sol ainda nem tinha subido por inteiro, mas o calor urbano já batia nas paredes como um soco abafado. Imperador estava na laje da boca, camisa jogada por cima de uma cadeira, café preto na mão e expressão cansada, como sempre nas manhãs. Caíque subiu devagar, a camiseta escura colando no peito depois de descer metade do morro para resolver uma treta de madrugada. Ele parecia mais sério que o normal — e isso já dizia muito. Imperador percebeu na hora. — Tá com cara de quem engoliu tijolo — ele soltou, sem desviar o olhar do morro despertando. Caíque bufou, passou a mão no cabelo e se largou na cadeira ao lado. — Preciso falar contigo. — Isso é novo — Imperador ironizou. — Tu fala pouco até bebendo. Desenrola. Caíque ficou alg

