A caixa chegou no meio da tarde, sem aviso, sem remetente, sem explicação. O morro estava em alerta desde cedo. A barreira seguia rígida, vapores atentos, rádio chiando o tempo todo. Nada subia sem ser visto, nada descia sem ser marcado. Por isso, quando o garoto do corre apareceu dizendo que um entregador tinha deixado uma encomenda pequena, embrulhada em papel pardo grosso, o clima mudou na hora. Imperador estava na sala da boca quando o aviso chegou. — Patrão… deixaram isso lá embaixo. Não falou nome. Disse que era “pra moça”. O estômago de Imperador fechou antes mesmo de ver a caixa. Caíque tambem largou o que estava fazendo. — Cadê? — a voz saiu baixa, perigosa. Trouxeram a encomenda. Era leve demais. Pequena demais. O tipo de coisa que não precisava ser pesada para machucar.

