A ligação veio no começo da noite, quando Renata estava lavando a louça e Sofia assistia TV no colchão improvisado na sala. O telefone antigo, pendurado na parede, tocou com um som estridente que fez as duas se entreolharem imediatamente, tensas. Renata enxugou as mãos na blusa e correu até o aparelho, atendendo rápido. — Alô? Demorou dois segundos para a resposta vir, mas quando veio, a voz estava trêmula, abafada, quase irreconhecível. — Renata… sou eu… Marta. Renata fechou os olhos em alívio imediato. — Graças a Deus, Marta… você tá bem? Onde você tá? Conseguiu se afastar? Do outro lado da linha, a mulher respirou fundo — o som parecia de alguém que vinha chorando há horas. — Tô viva… isso já é alguma coisa. Mas não vou mentir, menina… eu tô com medo. Medo de verdade. Esse homem

