O telefone de Otávio vibrou em cima da mesa de vidro da sala. Ele estava sentado no sofá, ainda vestido com a mesma roupa da noite anterior — não conseguira dormir, não conseguia comer. A casa estava silenciosa, arrumada, quase estéril, como se tentasse compensar o caos que rugia dentro dele. Quando viu o nome “Detetive Mauro” na tela, seu estômago se fechou. Ele respirou fundo e atendeu. — Senhor Otávio? — a voz do detetive veio firme, porém mais cautelosa que antes. — Sou eu. Alguma notícia da minha esposa? Um silêncio breve. Aqueles dois segundos foram suficientes para gelar o corpo dele inteiro. — Recebemos um registro novo. Uma imagem. Não é muito, mas confirma que ela estava viva naquela manhã, — disse Mauro. Otávio se levantou automaticamente, caminhando em círculos pela sala,

