A sala da boca ainda cheirava a café forte e pólvora antiga. As paredes de concreto cru carregavam marcas do tempo, riscos de bala cobertos às pressas, mapas do morro presos com fita adesiva, rádios chiando baixo em cima da mesa. Era cedo, mas o movimento já tinha começado lá fora — passos apressados, vozes baixas, o vai e vem constante de quem sabia que aquele lugar nunca dormia de verdade. Imperador estava sentado na cadeira principal, cotovelos apoiados na mesa pesada de madeira. A arma repousava ao alcance da mão, como sempre, mas ele nem parecia notar. O olhar estava distante, fixo em um ponto qualquer da parede, como se enxergasse algo que não estava ali. Caíque entrou sem bater, fechando a porta atrás de si. Conhecia aquele silêncio. Conhecia aquele jeito de Imperador ficar quieto

