Renata entrou em casa ainda sentindo o coração acelerado. O calor da noite não ajudava, mas o que mais a incomodava era a sensação estranha de ter sido “procurada” sem saber. Largou a bolsa no sofá e passou a mão pelo rosto. Caíque fechou a porta atrás deles e encostou nela por um instante, observando Renata em silêncio. — Você ficou quieta demais depois que a gente se encontrou — ele disse. Renata suspirou. — Eu não queria causar problema — respondeu. — Eu achei que podia sair. — Pode — Caíque disse, se aproximando. — Mas não sozinha. Não sem avisar. Ela se virou para ele. — Eu não sabia disso. — A voz saiu firme, mas cansada. — Eu moro aqui desde sempre, Caíque. Sempre andei pelo morro sozinha. Ele assentiu. — Eu sei. Mas agora é diferente. — Diferente por quê? — ela perguntou.

