O céu começava a escurecer sobre o Morro da Babilônia, pintando as lajes com uma luz alaranjada que dava a falsa impressão de calmaria. No alto da laje onde sempre se reuniam para respirar um pouco longe do barulho, Caíque e Imperador estavam lado a lado, dividindo aquele pedaço de concreto como dividiam a vida desde moleques. Imperador — alto, forte, tatuagens que contavam histórias que ele nunca precisava explicar — estava com o rosto meio virado para o horizonte, enquanto Caíque permanecia encostado na mureta, braços cruzados. Mais do que irmãos de morro, eram irmãos de sangue da vida. Não precisavam assinar nada para saber disso. — Tu tá estranho hoje — Imperador comentou, chutando um pedacinho de pedra para longe. — Desde mais cedo, tá meio desligado. Caíque deu de ombros, sem ol

