O relógio digital na cabeceira marcava 06h30. O sol ainda era uma promessa pálida atrás das cortinas pesadas do quarto, mas o corpo de Alexandre já estava programado para despertar. Por anos, aquele era o horário em que o "Imperador" assumia o posto, o momento em que a armadura de chefe do morro era vestida junto com a pistola na cintura. Mas, naquela manhã, algo estava diferente. Ele abriu os olhos e, por alguns segundos, ficou estático, encarando o teto de gesso. O peso do corpo de Sofia contra o seu, o calor que emanava da pele dela e o perfume doce que impregnava os lençóis agiram como um âncora. A ficha caiu com uma força avassaladora: a noite passada não tinha sido um sonho. Ele tinha se despido de toda a sua marra, tinha entregue seu nome real e tinha possuído a mulher que amav

