Eu achava que quando finalmente fugisse daquela casa, quando rompesse as correntes invisíveis que me aprisionaram por tanto tempo, eu sentiria alívio. A sensação de respirar, de ser livre, de poder existir sem pedir permissão. Eu imaginei que seria como abrir a janela depois de anos trancada em um quarto escuro. Mas não foi assim. A verdade é que, enquanto eu estava encolhida no banco de trás do carro da Renata, coberta por um casaco que cheirava a perfume barato e amaciante, tudo que eu sentia era pânico. Medo puro, pegajoso, que atravessava minha garganta como se fosse me sufocar. Eu tremia tanto que achei que o carro sacudiria junto comigo. Eu devia estar aliviada. Eu devia estar feliz por reencontrar minha prima depois de tanto tempo, por escapar das mãos de Otávio, por finalmente

