Meu nome é Caíque Moreira, mas aqui no Morro da Babilônia ninguém perde tempo com nome completo. Pra muita gente, eu sou só Caíque, o cara que anda sempre atrás do Imperador, o braço que executa, o olho que observa antes de todo mundo, a sombra que ninguém quer enfrentar. Eu tenho vinte e sete anos, um ano a menos que o Imperador, e cresci nessas mesmas vielas onde hoje eu comando ao lado dele. Minha pele é parda, meu cabelo é raspado na máquina dois, e meus olhos são escuros — não porque eu sou mau, mas porque a vida escureceu tudo que tinha pra clarear. Tenho tatuagens nos braços, no peito e nas costas, quase todas feitas no próprio morro, entre uma batalha e outra. As pessoas costumam dizer que minha cara é fechada demais, que meu porte intimida — que eu passo uma energia de perigo qu

