O espelho rachado do barraco devolvia uma imagem que Jéssica ainda não conseguia aceitar. Passou a mão pela própria cabeça, sentindo o couro cabeludo áspero, sensível, ardendo. Onde antes havia cabelo comprido, alisado à base de química barata e chapinha emprestada, agora só restava o nada. A raiva subiu quente pela garganta. — Filhos da put.a… — cuspiu, a voz carregada de ódio. Debby estava sentada na cama, também encarando o próprio reflexo num pedaço de espelho apoiado na parede. A cabeça raspada deixava o rosto mais duro, mais exposto. Os olhos, antes cheios de malícia, agora estavam cheios de rancor. — Nunca fizeram isso comigo — Debby disse, a voz tremendo entre fúria e humilhação. — Nunca. Nem polícia, nem homem nenhum. Jéssica riu sem humor. — Pois é. Mas a gente mexeu com q

