CAPÍTULO 2

992 Words
Clara — Então, me conta Clara... — A voz de Lucas era baixa, quase um sussurro, mas carregava um peso que Clara sentia no corpo inteiro. — O que você tem feito nesses anos em que estive fora? Clara tentou de todas formas manter a sua postura de durona. Mas o jeito como ele a olhava, como se estivesse analisando cada detalhe dela, fazia seu estômago revirar de um jeito intenso. — A faculdade acabou, estou trabalhando agora... — Sua voz soou normal, mas a verdade era que cada parte do seu ser estava em alerta. Lucas se inclinou levemente para mais perto dela. Perto demais. — E o seu namorado? Clara piscou, surpresa pela pergunta direta. — O quê? O canto da boca de Lucas se ergueu em um meio sorriso carregado de segundas intenções e provocações. — Você tem alguém, Clara? Ela deveria mentir. Dizer que sim. Dar um passo para trás e encerrar essa conversa antes que algo saísse do controle. Mas não conseguiu, não com ele. — Não. O olhar de Lucas escureceu. Ele não disfarçou a satisfação ao ouvir a resposta. — Interessante. Clara tentou ignorar o arrepio que percorreu sua pele quando a voz dele ficou mais grave estando tão perto dela. — E você? — Ela perguntou antes que pudesse se impedir de falar. Ele inclinou a cabeça, os olhos presos aos dela. — Você quer saber se eu tenho alguém? Clara engoliu em seco. O jeito que ele jogava as palavras a deixava tensa, inquieta. — Foi você quem começou com esse assunto — murmurou, tentando soar indiferente. Lucas passou a língua pelos lábios, pensativo. — Não tenho. Clara não sabia por que aquilo a fez sentir um choque interno, um misto de alívio e algo muito mais perigoso. — Mas eu soube que você teve, né? — Lucas continuou, estreitando os olhos. Clara sentiu o coração disparar. — O quê? — Um cara na faculdade — ele continuou, a voz calma, mas os olhos sombrios. Ele sabia. Ele sempre sabe. Clara sentiu uma onda de calor e constrangimento. O que Lucas tinha a ver com isso? — Eu… Tive, sim — admitiu, cruzando os braços. Lucas assentiu devagar, os dedos girando a taça de uísque na mão. — Ele te tocou? O ar pareceu sumir dos pulmões de Clara. — O quê? Lucas deu um meio sorriso, mas seus olhos estavam gelados. — Quero saber se ele te tocou do jeito certo, se sabia o que fazer com você. O corpo de Clara pegou fogo. O atrevimento dele a desestabilizou de uma forma surreal, e ela sabia que deveria virar as costas e sair dali. Mas não conseguia se mexer. — Isso não é da sua conta — sussurrou, tentando soar firme. Lucas inclinou o corpo para mais perto. Ela podia sentir o calor dele, a energia que emanava. — Não? — murmurou, os olhos escuros prendendo os dela. — E se eu quiser que seja? Clara prendeu a respiração. O perigo naquela conversa era real, mas ela não tinha forças para fugir. Lucas não estava brincando. Ele queria algo dela. E, Deus... Ela queria dar tudo. O ar entre eles era pesado, carregado de algo que Clara não sabia nomear, mas sentia em cada célula do seu corpo. Lucas estava perto demais. Ela deveria se afastar. Deveria. Mas o olhar intenso dele a mantinha presa, incapaz de escapar. Lucas levantou a mão devagar, como se testasse os próprios limites. Quando seus dedos roçaram a pele do braço dela, Clara sentiu um arrepio profundo, quente e proibido. — Você está brincando com fogo… — sussurrou, tentando recuperar o controle. Lucas sorriu de lado, os olhos escuros nela como se ela fosse fugir. — E se eu quiser me queimar? A voz dele era baixa, carregada de promessas silenciosas. O calor da presença dele a envolvia, e Clara sabia que estava prestes a cometer uma loucura que depois não poderia desfazer. Os dedos de Lucas subiram pelo braço dela até tocarem de leve seu rosto. Ele inclinou a cabeça, os lábios perigosamente próximos dos dela. Tão próximos que Clara podia sentir a respiração quente contra sua boca. Seu coração disparou. Isso não podia estar acontecendo. — Diga que eu pare — Lucas murmurou, a ponta do nariz roçando a dela. Clara abriu a boca para falar. Mas nenhuma palavra saiu diante da intensidade dele. Ela queria fugir ao mesmo tempo queria que ele fizesse tudo que ela sempre desejou. Lucas segurou o queixo dela entre os dedos, o polegar deslizando levemente sobre seus lábios. O toque era suave, mas a intensidade no olhar dele a fez prender a respiração. — Você não disse — ele sussurrou, umedecendo os próprios lábios antes de se inclinar ainda mais. O mundo ao redor sumiu. A festa, os convidados, até mesmo o risco de serem vistos… nada mais importava. Os lábios dele tocaram os dela por um instante. Um segundo maldito e devastador. Um choque percorreu Clara. Ela queria puxá-lo, acabar logo com a tortura lenta que ele estava impondo. Mas então, uma voz familiar cortou o ar como uma lâmina afiada. — Clara? Ela congelou no lugar. Lucas não se afastou de imediato. Seus olhos ainda estavam presos aos dela, escuros, carregados de algo que ela não conseguia decifrar. Mas então ele recuou, os dedos deslizando lentamente pelo rosto dela antes de desaparecerem. Clara piscou algumas vezes, tentando se recuperar. Sua mente ainda girava quando se virou e encontrou seu irmão parado ali, os olhos semicerrados, desconfiados. O coração de Clara disparou. Se ele tivesse visto… Lucas, por outro lado, não parecia abalado. Um sorriso lento e perigoso surgiu em seus lábios. — Quase — ele murmurou para ela, baixinho o suficiente para que só Clara ouvisse. E então, como se nada tivesse acontecido, ele se virou para cumprimentar o irmão dela. Clara tentou respirar. Mas já sabia… não havia mais volta para o que acabou acontecer.
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