CAPÍTULO 15

1121 Words
A festa havia terminado, mas para Clara, a noite ainda estava longe de acabar. O caos emocional que ela experimentara durante o evento a perseguia, uma tempestade de ciúmes e desejos sem fim. Lucas havia brincado com seus sentimentos, e ela sabia que ele estava ciente do poder que tinha sobre ela. Ela havia tentado manter sua postura, disfarçar a confusão que sentia, mas o desconforto era palpável. O jogo dele não era mais uma simples provocação, era algo mais profundo, algo que a desafiava a questionar seus próprios limites. Quando Lucas a convidou para um passeio depois da festa, ela sabia que algo grande estava prestes a acontecer. Eles estavam agora em um carro silencioso, dirigindo pelas ruas desertas da cidade, a tensão entre eles mais espessa do que nunca. O som do motor era o único som que preenchia o silêncio, enquanto Clara olhava pela janela, tentando organizar seus pensamentos, depois de todos os acontecimentos da festa. Lucas estava calado, mas sua presença ao lado dela era esmagadora. Clara sentia o calor dele, como se estivesse em cada parte do seu ser. Ele sabia exatamente o que fazer para deixá-la descontrolada, e ela sabia que ele também estava esperando uma reação. Ele parou o carro em um ponto afastado, onde as luzes da cidade eram apenas um brilho distante. O ambiente estava silencioso, quase inquietante. Clara sabia que aquele momento era inevitável. Eles precisavam confrontar a verdade. Precisavam falar sobre tudo o que estava acontecendo entre eles, as palavras não ditas e as intenções ocultas. — Clara, você está em conflito, não está? — A voz de Lucas cortou o silêncio como uma lâmina. Ele não parecia surpreso, nem irritado. Na verdade, ele parecia se divertir com a situação. Ele estava jogando com o coração dela, e ela não sabia mais se queria lutar ou se entregar completamente. Clara o encarou, tentando esconder a vulnerabilidade que se espalhava por seu corpo. Ela sabia que não podia mais esconder o que sentia, mas também sabia que uma vez que começasse a falar, não haveria volta. — Sim, estou. — Sua voz estava trêmula, mas firme. Eu não entendo o que está acontecendo entre nós. Ela fez uma pausa, encarando-o diretamente. Você me provoca, me desafia, e eu me sinto perdida, Lucas. Ele sorriu, aquele sorriso arrogante que ela já conhecia bem, mas agora havia algo mais profundo por trás dele. — Eu gosto de ver você assim. — Ele disse, a voz baixa, carregada de significado. Perdida, vulnerável, buscando respostas que só eu posso te dar. Ele se aproximou lentamente, colocando uma das mãos no volante e a outra ao lado dela. Você é minha, Clara. E eu vou fazer você entender isso de todas as maneiras possíveis. Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele estava brincando com fogo. O ambiente ficou ainda mais tenso, as palavras pendendo no ar entre eles. Clara não sabia se deveria se afastar ou se entregar à intensidade daquele momento. A luta interna era excruciante. Mas havia algo dentro dela que não conseguia ignorar, o desejo ardente de se entregar completamente àquele homem, sem reservas, sem medo. Ela respirou fundo, decidida. Ela não poderia mais viver nesse labirinto sem fim. Precisava saber a verdade, mesmo que a resposta a destruísse. — O que você quer de mim, Lucas? — Sua pergunta saiu baixa, mas com uma urgência que ela não tentou esconder. — Você quer me controlar? Me possuir? Ela olhou para ele, seus olhos ardendo com a intensidade do que sentia. Por que está fazendo isso? Lucas a observou por um longo momento, os olhos escuros e penetrantes. Ele parecia ponderar, e então, com um suspiro baixo, falou. — Eu quero você, Clara. Completamente. — Ele a olhou, um sorriso aparecendo nos lábios. Eu quero te ver sucumbir ao que eu posso te oferecer, ao que posso te fazer sentir. Eu quero que você perca o controle, porque isso vai te fazer entender o quanto você me deseja, o quanto você precisa de mim. Clara sentiu um calafrio subir por sua coluna, mas algo dentro dela se quebrou. Ela sabia o que ele estava fazendo, o que ele estava pedindo. Ele não queria apenas seu corpo. Ele queria sua alma. Ela abriu a boca para responder, mas as palavras falharam. Era como se ele tivesse tocado em algo profundo dentro dela, algo que ela não sabia que estava escondido, algo que ela estava desesperada para explorar. O que se seguiu foi mais intenso do que qualquer coisa que Clara já havia vivido. Lucas a puxou para mais perto, seu olhar abrasador fixo nela. Ele não falava mais, mas seus gestos, sua proximidade, diziam mais do que palavras poderiam expressar. Clara sentiu uma pressão crescente em seu peito. Ela sabia que ele estava pronto para dar o próximo passo. — Eu sei que você sente o mesmo, Clara. — Ele disse, a voz tão suave quanto um sussurro, mas cheia de intensidade. Eu sei que você não vai resistir. Ele acariciou a pele de seu pescoço com a ponta dos dedos. E quando você ceder, quando você me deixar entrar de verdade, eu vou te mostrar o que significa ser verdadeiramente minha. Clara se sentiu como uma marionete, seus fios todos puxados por Lucas, e ela não sabia se isso era uma maldição ou uma bênção. Mas havia algo sobre ele, sobre o jeito como ele a fazia se sentir, que a atraía de forma irreversível. Ela se inclinou para frente, quase instintivamente. Seus lábios se encontraram de forma urgente, e o beijo foi intenso, carregado de uma necessidade urgente. Era como se ambos estivessem tentando se consumir, se destruir, e ao mesmo tempo, se encontrar. Lucas a segurou com mais força, guiando-a para um lugar onde as palavras não eram necessárias. O beijo não era apenas físico, era um elo, uma confissão silenciosa de que ambos estavam prontos para atravessar a linha e nunca mais voltar. Após o beijo, ambos ficaram em silêncio, a respiração ofegante. Clara sabia que algo tinha mudado, que algo dentro dela tinha sido quebrado. Ela não sabia mais como voltar atrás. — Eu não posso voltar, posso? — Ela perguntou, sua voz quase inaudível. Lucas sorriu, satisfeito. — Não. E você não vai querer. — Ele a olhou com uma intensidade profunda que ela sentiu como se estivesse se afundando em seus olhos. — Porque agora, Clara, você finalmente entende o que eu quero. E o que você quer também. Clara não sabia o que o futuro reservava, mas uma coisa ela sabia, nada mais seria o mesmo. Ela estava prestes a mergulhar em um abismo de desejo, poder e obsessão, e não havia como voltar atrás.
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