Clara não sabia mais o que pensar.
Os dias após sua última noite com Lucas haviam sido uma montanha-russa de sentimentos, uma alternância entre desejo avassalador e culpa devastadora.
Ela se via perdida em um jogo que não sabia mais como controlar.
Mas o que ela não esperava era que, enquanto ela tentava encontrar algum equilíbrio, algo muito mais perigoso estava se aproximando.
A cidade parecia ter se tornado um reflexo de sua mente, sombria, instável, cheia de mistérios ocultos e ameaças invisíveis.
Os sussurros na rua, as olhares furtivos das pessoas, tudo parecia mais intenso agora.
E no meio disso tudo, Lucas, com sua presença dominante e sua obsessão crescente, parecia ser a única coisa que ela conseguia focar.
Mas isso estava prestes a mudar.
Era uma tarde qualquer quando Clara decidiu sair para dar uma caminhada.
Precisava respirar, afastar os pensamentos que a atormentavam.
Ela tentou se convencer de que, talvez, se afastasse de Lucas por um tempo, as coisas pudessem se acalmar.
Mas não demorou muito até que algo inesperado a interrompesse.
Enquanto atravessava a rua, Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Algo estava errado.
Ela olhou para os lados, tentando perceber o que estava acontecendo. E foi aí que o viu. Ele estava lá.
— Clara. A voz do homem soou com um tom de aviso.
Era difícil ver seu rosto completamente, pois ele estava um pouco afastado, mas a presença dele era inconfundível.
A expressão dele era fria, calculista. Clara franziu a testa.
Era alguém que ela já conhecia.
Aquele homem era Alex, um dos amigos de Lucas, mas ele não era como os outros.
Alex sempre tivera um olhar penetrante, uma natureza difícil de entender, e um comportamento muitas vezes ambíguo, que fazia Clara se sentir desconfortável.
Eles nunca haviam sido próximos, mas o suficiente para Clara perceber que algo estava errado com ele.
Algo sinistro.
— O que você quer? Clara perguntou, tentando manter a calma, mas sua voz saiu mais tremida do que gostaria.
Alex deu um sorriso frio, um sorriso que não chegava aos olhos.
Ele deu um passo em direção a Clara, e isso a fez dar um passo para trás.
— Lucas tem sido bastante possessivo ultimamente, não é? — Ele disse, sua voz suave e melancólica, mas Clara sentiu a ameaça implícita em cada palavra.
Havia algo nele que não batia, algo ameaçador.
Ela não sabia como reagir. Ele estava falando de Lucas, mas o que ele queria com ela?
Ela se sentiu insegura, uma sensação de perigo que parecia estar crescendo a cada segundo que passava ali.
— Não sei do que você está falando. Clara tentou disfarçar seu nervosismo, embora soubesse que as palavras soavam falsas.
Lucas é, quem ele é. Ela não podia negar. Mas aquilo parecia ser mais do que só um simples comentário sobre a possessividade dele. Era um aviso, e ela sentia isso.
Alex continuou a observá-la, e por um momento, Clara teve a sensação de que ele estava estudando cada movimento seu.
Ele olhou para ela de forma fria, como se estivesse avaliando suas reações.
E então, ele falou novamente, com um tom mais baixo, mais ameaçador.
— Você tem noção do que está fazendo, Clara? — A pergunta parecia mais um aviso do que uma dúvida.
Lucas não está apenas jogando. Ele é mais… controlado do que você imagina.
Ela engoliu em seco. Controlado? O que Alex queria dizer com isso?
Ela sabia que Lucas tinha um lado sombrio, mas agora, com as palavras de Alex, aquele lado parecia se intensificar de maneira perigosa.
— Ele não vai deixar você escapar, sabe disso, não é? — Alex continuou, suas palavras pesando no ar.
E eu… bem, sou apenas alguém que está observando de longe, Clara. Não quero que você se machuque.
Era uma ameaça disfarçada de preocupação, e Clara percebeu isso imediatamente.
O tom de Alex parecia querer fazer ela questionar tudo o que sabia sobre Lucas, como se estivesse tentando manipular seus pensamentos, suas percepções.
Mas ela não podia ceder. Ela não poderia cair nessa armadilha.
Lucas poderia ser possessivo, mas Clara sabia que ela também estava envolvida nesse jogo.
Antes que ela pudesse responder, Alex deu um passo para trás, o olhar ainda fixo nela.
Ele olhou para os lados, como se estivesse verificando se alguém estava observando, e então, com um sorriso irônico, disse:
— Só não diga que não avisei, Clara. — Ele virou-se abruptamente, indo embora sem mais palavras, mas o medo que ele deixara em Clara era palpável.
Clara ficou parada por um momento, seu corpo tenso, o coração batendo rápido. Ela sabia que algo estava muito errado.
Alex havia falado em códigos, mas ele deixara claro que havia mais coisas acontecendo do que ela sabia.
A presença de Lucas estava se tornando mais sombria a cada dia, e mais difícil de suportar, e agora, com o aviso de Alex, Clara se perguntava, Ela estava realmente pronta para os perigos que estavam à frente?
Ela sentiu o peso da situação cair sobre ela, a percepção de que o que havia começado como um jogo de desejo e paixão estava se transformando em algo muito mais perigoso, algo que ela não sabia como controlar.
******
Ao retornar para casa, Clara não conseguiu se livrar da sensação de que estava sendo observada.
Quando entrou, viu Lucas em pé na sala, seu olhar intenso fixo nela.
Ele não disse nada de imediato, mas a forma como a observava fazia Clara se sentir como se estivesse sendo desnuda, como se ele soubesse exatamente o que havia acontecido.
— Onde você esteve? — A voz de Lucas era baixa, e ela podia sentir a tensão nele.
Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha.
Ela sabia que ele não estava apenas perguntando por curiosidade.
Ele queria saber.
Ele queria controlar.
Ela tentou desviar o olhar, mas ele não permitiu.
Lucas já sabia.
E o medo, a sensação de perigo, cresceu ainda mais.