Capítulo 5 - Lembranças

1168 Words
“Hoje percebi que de nada adianta ficar recordando meu passado ... Minhas recordações não trazem nada de volta.” Arianna, com o susto, soltou as mãos de Gabriel e se afastou. Olhou assustada para a amiga e colocou as mãos sobre o peito, sorrindo logo em seguida e dizendo: — Talitha, você me assustou. — A morena olhou para Gabriel com carinho e começou a falar: — Esse é o Gabriel, ele é novo aqui, é o nosso novo zelador. Gabriel cumprimentou a loira com um leve aceno de cabeça. — Olá Gabriel, seja bem vindo ao grupo. — Talitha disse sorrindo depois virou novamente para a amiga e completou: — Ari , vim buscar você para irmos, hoje você não me escapa. Desviou o olhar para o loiro e perguntou: — Quer ir conosco, Gabriel? Vamos tomar uma cerveja com uns amigos? — falou sorrindo. Gabriel por um momento se sentiu uma pessoa normal. E isso fez o seu coração aquecer. Mas em seguida lembrou de sua condição, e sair para tomar uma cerveja, estava terminantemente proibido. Sorriu e respondeu em seguida: — Obrigado, Talitha pelo convite, mas terei que recusar. — sorri para ambas. — Acho que já vou me recolher. — Desviou os olhos azuis para Arianna e disse: — novamente Arianna me desculpe… até amanhã garotas. Saindo da sala da mesma maneira que entrou, em silêncio. Arianna e Talitha se olharam e a loira não ia perder a oportunidade de perturbar com a amiga e foi logo falando: — Ari, minha querida! Eu vi tudo, viu? Primeiro… QUE PÃO É AQUELE? Nossa, ele realmente é um colírio para os olhos. E aquele olhar sério e misterioso? Nossa que o Steven não me escute! — completou sorrindo. — Engraçado… o Sebastian não me falou sobre um novo funcionário, será que ele é um daqueles caras da reabilitação do Thomas? ficou pensativa. — Bem agora deixa isso pra lá, acho que a Evelyn não vai gostar muito de saber que o gatinho dela já se encantou por você. — completou Thalita com um olhar malicioso para Arianna, que arregalou os olhos e corou com o comentário. — Talitha, por favor não fale besteiras. O Gabriel foi apenas gentil e educado, apenas isso. Não crie ou fantasie ideias mirabolantes nessa sua cabecinha. E o que eu menos quero na minha vida, é problemas envolvendo homens e principalmente se a Evelyn estiver envolvida no meio. — Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Agora vamos, preciso tomar uma cervejinha gelada. As duas saíram da sala em direção ao pequeno PUB, que existia próximo a escola. Por mais que Arianna tentasse, não conseguia tirar da sua mente a lembrança daqueles olhos azuis. Aquele olhar que fez algo que estava adormecido despertar, algo que jamais havia sentido antes na sua vida. Era como se ela estivesse diante de alguém importante que partiu e finalmente, tinha voltado para si. ✲ ✲ ✲ Gabriel acabava de chegar no seu pequeno apartamento. Antes ele havia parado num mercado próximo de onde morava, aproveitou para comprar comida e uns produtos que faltavam. Trabalhar, ganhar um dinheiro e poder comprar algo que tem vontade, era algo novo para o loiro. Fazia cinco anos que ele não fazia algo desse tipo. A sensação de liberdade, por mais que remota, era maravilhosa. Mas nem tudo eram flores, às pessoas o encaravam com desdém e alguns com pavor. Suas tatuagens lhe indicavam que ele era um homem perigoso, ou pelo menos já fora. Homens com tatuagens no corpo, significava que ou ele era um mafioso, ou ex-presidiário. Se sentia um pouco incomodado com os diversos olhares que eram dirigidos a sua pessoa, isso às vezes lhe causava certo constrangimento, porque podia perceber olhares de pena, medo e até desejo. Então, recolheu suas compras e chegou ao seu pequeno apartamento. Colocou suas compras sobre a pequena mesa da cozinha, e se dirigiu até o seu quarto onde pegou uma muda de roupas e foi até o banheiro. Já no banheiro ele se despiu deixando a água cair sobre os seus ombros. Embaixo do chuveiro, se permitiu que seus pensamentos voassem. Ao abrir os olhos ele conseguia imaginar aquela morena de olhos azuis. Suspirou fundo, faziam mais de cinco anos que ele não sentia o calor de um corpo de uma mulher. A beleza da morena não passou despercebida pelo loiro, assim como o seu lindo corpo. Suspirou fundo e no banho se permitiu se aliviar, vestiu uma roupa, comeu alguma coisa e foi dormir. Às vezes uma boa noite de sono era suficiente para mandar embora os pensamentos melancólicos. “Franchesca saiu da clínica feliz após ter escutado os batimentos do coração do seu bebê. Sempre sonhou em ser mãe, e carregar no ventre um filho dela e de Gabriel era algo pleno e maravilhoso. — Amor, você já pensou no nome do nosso garotão? – perguntou Gabriel para sua noiva com um sorriso no rosto. A ruiva sorriu para o loiro e acariciou seu ventre de cinco meses e respondeu: — Calma amor, vamos esperar mais um pouco. Não temos certeza ainda se será um garotão, pode ser uma menininha. — respondeu Franchesca sorrindo para Gabriel. O loiro sorriu largo e negou com a cabeça rebatendo: — Eu sinto que será um garotão, mas se vier uma garotinha será muito amada também. — respondeu com um sorriso nos lábios. Os dois estavam juntos há pouco mais de três anos. E estavam com planos para o casório ainda no final daquele ano. Gabriel estava no último ano da faculdade de administração e Franchesca cursava veterinária, mas por conta da gravidez resolveu trancar o último período para se dedicar ao seu bebê. — Você sabe que temos que ir na tia Emma amanhã, não é ? Sua mãe não vai perdoar se não formos almoçar com ela e com o tio Joseph. – disse a ruiva sorrindo para o noivo. — Sei…sei sim, é porque você sabe que a mamãe e o velho vão insistir sobre eu assumir as empresas e eu não quero. — respondeu Gabriel bufando alto. — Quero ter uma vida normal junto com você e nosso bebê. — completou com o semblante sério prestando atenção à estrada enquanto dirigia. Os dois estavam felizes, e com vários planos e projetos para o futuro da nova família que se formava. Eles apenas não imaginavam que antes de terminar aquele dia, suas vidas iriam mudar de maneira tão abrupta e c***l. O destino pregou uma peça que mudaria o rumo da vida de Gabriel, para sempre.” Gabriel despertou suado e chorando. Era sempre assim, todas as noites era atormentado pelo o que fez, ou por aquilo que ele havia perdido: A sua família! Reviver a dor da saudade ou a dor da perda, era algo que o atormentava todos os dias, durante os cinco anos que ele viveu no inferno. Parece que esse era o preço alto a ser pago, pela vida que ele tirou.
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