“Onde acaba o amor, tem início o poder, a violência e o terror.”
Carl Jung
Sasha olhou para a amiga confusa e perguntou:
— Mas alguém? Como assim, mas alguém? O que mais esse monstro fez que você não me contou?
Arianna respirou fundo e disse:
— Você se lembra do Vladimir?
— Claro que eu me lembro do Vladimir, ele era seu melhor amigo desde a infância, você até deu o seu primeiro beijo com ele.
Arianna sorriu triste e continuou:
— O Anton odiava o Vladimir. Ele tinha ciúmes da nossa amizade, dizia que ele era apaixonado por mim e que iria me roubar para ele. A obsessão de Anton por Vladimir foi tão grande que ele…
— Ele?
— Ele o matou, Sasha!
Arianna começou a chorar copiosamente. Sasha arregalou os olhos e levou ambas as mãos até a boca em sinal de pavor e disse:
— Como ? Meu Deus Arianna!
— Vladimir morreu por conta de um acidente na estrada. Sasha… foi ele amiga, eu ouvi quando ele conversava com alguém no telefone se gabando que tinha resolvido um problema que estava lhe dando dor de cabeça. Como não tinha provas, não pude fazer nada pelo meu amigo, então nunca disse nada a você ou ao Tomas por medo… me perdoe.
Sasha então abraçou a amiga e a consolou na sua dor.
— Sasha… por favor, preciso de sua ajuda. Não posso mais continuar com o Anton.
Sasha olhou para a amiga que era uma mulher doce, carinhosa e amorosa. Nunca iria imaginar que Arianna sofresse naquele casamento. Por mais que ela não gostasse do Anton, ela nunca imaginou que ele fosse esse monstro. Um homem agressivo e violento. A médica suspirou fundo e olhando nos olhos da amiga disse:
— Não se preocupe amiga, eu irei te ajudar. — disse convicta.
Então elas organizaram tudo. Com a ajuda do tio de Sasha, que fazia parte da polícia secreta da Rússia, elas organizaram tudo. Arianna iria fugir e iria mudar de nome, endereço e construir uma nova vida com o seu bebê. Porém as coisas não aconteceram como esperado. Anton tinha muitos espiões e aliados. A sua empregada era paga apenas para vigiar a sua esposa, além de possuir uma relação s****l com o patrão. A mulher contou todo o plano sem hesitar.
Arianna acordou de madrugada, se levantou devagar, trocou de roupa e pegou sua pequena mala com uns rúpios, uns dólares e poucas roupas. Quando ela estava próximo da escada, Anton a agarrou e a jogou escada abaixo. Arianna saiu rolando pelos degraus com a mão sob o ventre, ela só pensava em proteger aquela pequena vida.
E naquela noite, Arianna se deparou com a maior dor que poderia ter… uma dor que supera todas as surras e humilhações… a dor de ter perdido o seu filho.
Arianna estava tão perdida nas suas lembranças que não percebeu que alguém tinha acabado de chegar.
— Terra para Arianna?
— Sasha! — a morena se levantou e abraçou a amiga.
— Finalmente arrumou um tempinho para mim. — disse a morena se esquivando do abraço e sentando na cadeira.
— Não seja dramática, você sabe como minha vida é um corre corre. — respondeu Sasha sentando ao lado da amiga. — Mas, me diga como está o trabalho?
As duas tinham marcado de almoçar juntas naquele dia. Por conta do trabalho da médica, elas quase não tinham tempo de se ver.
— Está ótimo, Sasha. As crianças são maravilhosas, as professoras também. Eu me sinto viva novamente dando aulas e dançando. Sinto que enfim encontrei a minha pequena felicidade.
— Fico feliz por você, minha amiga. E … seu pai? Ele lhe procurou novamente?
— Não … e nem quero. Prefiro viver a minha vida assim, sou feliz dessa forma. – falou a morena sorrindo para a amiga. — Se não fosse por você e pelo Tomas, eu não estaria aqui, não sei como agradecer a vocês.
— O que é isso minha amiga. Somos irmãs, você sabe disso. — disse Sasha enquanto abraçava Arianna. — Mas me conta… não tem nenhum professor gatinho nessa escola não ?
— Sasha! – respondeu corada.
— Ora Sasha, você está viva sabia? E você é uma linda mulher diga-se de passagem, merece ser feliz, encontrar um homem legal que te ame e te trate como uma princesa.
— Não … tem o Evan, ele é um bom rapaz. Mas …
— Você não sentiu as tão famosas borboletas no estômago. — respondeu Sasha revirando os olhos. Arrianna, eu sei que você é romântica e tal, mas … sexo casual é legal também sabia?
— Nossa, quem diria que a Dra Hoody me daria esse tipo de conselho. — falou Arianna sorrindo para a amiga. Sasha sorriu e respondeu em seguida:
— Só acho que você tem que seguir em frente. Nem todos os homens são como Anton. E você ainda é jovem, ainda tem tempo para fazer sua vida, construir uma família…
— Sasha… não vamos falar mais sobre isso por favor.
Sasha suspirou fundo e se calou.
Já haviam se passado cinco anos. Anton ficou preso por apenas dois dias, alegando que nunca tinha feito tal coisa antes e que foi motivado por ciúmes. Foi solto por não possuir antecedentes criminais e por Anna nunca ter feito um boletim de ocorrência antes. Saiu como um homem livre, pela porta da frente.