Arielle se levantou da cama, mais uma vez ela não dormiu, mas o motivo tinha sido outro.
Ela não parou de pensar um só segundo no homem que havia pedido em casamento no dia anterior.
Sem saber com quem conversar, ela ligou para sua amiga, que era a única que podia ajudá-la naquele momento de desespero.
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--- Sua maluca, pediu um cara que você viu uma única vez na vida em casamento? Que tipo de desespero você estava?
--- Eu sei Ruth, eu estava doida, não sabia no que estava pensando naquele momento.
--- Mas e então, o que ele disse?
--- Foi totalmente inesperado, eu não fazia ideia que ele iria aceitar uma loucura, por isso não dormi pensando.
--- Está dizendo que ele aceitou?
Ruth gritou tão alto ao telefone que Arielle afastou o celular do ouvido, odiava o quanto a amiga era escandalosa, ela não economizava nunca.
--- Isso é sério? Ele aceitou se casar com você?
--- Ao que parece sim, mas e agora o que faço?
--- O que ele disse depois de aceitar?
--- Que me procuraria para conversarmos sobre todos os detalhes.
--- Espere por isso então, foi maluca o suficiente para fazer um pedido de casamento a um completo estranho, agora seja maluca o suficiente para se casar com ele.
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Ela desligou depois de conversar por mais um tempo com Ruth, não aguentava o quanto sua amiga estava dizendo que ela era desesperada.
E se a sua própria amiga estava pensando naquilo, o homem do dia anterior estava pensando muito pior.
Por falar em homem, Arielle não tinha perguntado a ele qual era o se nome, estava mesmo muito desesperada naquele momento.
Arielle se levantou e desceu para o café da manhã, para sua felicidade naquele dia Fiorella não estava ali, geralmente ela sempre ia para o café da manhã.
--- Marquei alguns encontros às cegas pra você.
--- Não preciso mais que faça isso pai, já tenho meu noivo.
Michael cuspiu o café na xícara novamente, não era crível que sua filha estava dizendo que já tinha um noivo com quem se casaria.
--- Filha, disse que não tinha alguém.
--- E não tinha pai, mas agora eu tenho, irei me casar logo.
--- Sem mais nem menos?
--- Uer, o senhor não queria que eu me casasse rapidamente por que já estava ficando velha?
--- Mas agora pareceu rápido demais, de onde é esse rapaz?
--- Vou tentar trazê-lo aqui para que o senhor conheça ele.
--- Faça isso, não vai se casar se antes eu não o conhecê-lo.
Arielle se sentia m*l, mas ela não poderia dizer ao seu pai que se casaria com alguém que ela nunca viu em toda a sua vida, se falasse isso, Michael nunca permitiria tal coisa.
Por isso, ela iria fingir, fez isso uma vida toda, não faria diferença fazer isso mais uma vez, e aquilo era por um bem maior.
Era noite e ela já saia do trabalho, iria pegar seu carro para voltar para casa, mas um homem de meia idade parou no meio do caminho.
--- O senhor Collin pediu para que eu a buscasse.
Collin, então era esse o nome dele, Arielle achou que combinava com ele.
--- Você pode seguir na frente, eu acompanho você com meu carro.
O homem assentiu, Arielle buscou o seu carro e seguiu o carro à sua frente até que chegasse em uma casa gigantesca.
Ela pensou se ali só morava realmente uma só pessoa, não era possível que alguém morasse em uma casa tão gigante como aquele.
Acompanhando o senhor até uma porta ele se despediu e ela deu batidas leves, não iria entrar sem antes bater, seria m*l educada se fizesse isso.
--- Entre.
A voz que lhe causa arrepios pareceu ainda mais assustadora naquele momento, Arielle era louca por estar em uma casa gigante, sozinha com um homem que m*l conhecia.
--- Parece assustada, mudou de ideia coelhinha?
--- Coelhinha?
--- Nesse momento parece uma coelhinha assustada, assim como estava no dia em que encontrei você naquele cemitério.
Não era um dos melhores apelidos para se dar a alguém, mas Arielle não se importou, aquele era o menor dos seus problemas naquele momento.
Ela sentou, mesmo nervosa, não poderia mais voltar atrás, já tinha feito a loucura, ela mesma tinha começado aquilo, agora iria até o fim.
Collin puxou um envelope de dentro da sua gaveta, tirou o documento de dentro e colocou na frente de Arielle, ela não estendeu o que era.
Na primeira página ela soube do que se tratava, um acordo de casamento, aquilo era um contrato, apesar de Arielle ter feito um pedido inesperadamente, ela não pensou em algo como um contrato.
--- Isso é um contrato?
--- Não esperava por isso? Pensei que ao estar pedindo um estranho em casamento já tivesse arquitetado o contrato na sua mente.
--- Claro.
Arielle não queria parecer ainda mais i****a falando que não pensou em um contrato de casamento, ele já achava que ela era uma maluca, não daria mais um motivo.
As cláusulas do contrato não pareciam surpreendentes, exceto por uma apenas, onde dizia que os dois dormiriam em quartos diferentes.
Aquele era um casamento por contrato, mas ainda assim Arielle pensou que pelo menos eles poderiam criar um sentimento com o tempo.
Mas pelas cláusulas que havia ali, ela teve certeza que Collin não queria um casamento, não entendia o que ele queria com aquilo.
--- O que quer com isso? Se não há motivos, por que aceitou o meu pedido?
--- Quem disse que não há motivos? Minha avó quer que eu me case, só assim pra ela deixa sua herança pra mim, mas ela não quer que eu me case com a mulher que amo.
Arielle engoliu a seco, ele estava ali dizendo na sua frente que iria se casar com ela, mas que outra mulher já tinha seu coração.
Tudo aquilo estava criando uma grande confusão na cabeça dela, agora entendia o tamanho do problema em que se meteu.
--- O que? Esperava que tivéssemos um casamento feliz e que teríamos muitos filhos? Ou melhor, esperava que eu sentisse alguma coisa por você?
Talvez a rapidez dele em responder a pergunta que Arielle fez naquele dia tenha confundido a cabeça dela, ela esperava qualquer sentimento que fosse, por mais pequeno que seja.
Estava envergonhada por ter pensado nisso, não acreditava que foi tão i****a a tal ponto, se sentia a pessoa mais burra do mundo.
É claro, se ela tinha motivo para pedir um estranho em casamento, ele também tinha motivos para aceitar se casar com uma estranha.
Uma gota de arrependimento começou a pesar em seu coração, mas antes que esse arrependimento crescesse, ela pegou a caneta e assinou o contrato.