Chegando ao Rio

1158 Words
Quando chegamos à Cidade do Rio de Janeiro, a primeira coisa que Ruan fez questão de me apresentar foi o mar. Como morava no interior, eu nunca tinha o visto e achei a coisa mais linda e fascinante do mundo. As ondas quebravam de forma intensa na beira da praia e as espumas corriam em direção aos meus pés. Eu precisei segurar firme as mãozinhas de Erik, pois ele com sua curiosidade queria entrar no mar de qualquer jeito. A sensação da areia molhada em meus pés é uma experiência maravilhosa. O dia está quente e a praia está cheia. Guarda-sóis coloridos se espalham pela areia. Surfistas correm para pegar a próxima onda e o mar está pontilhado de banhistas. — Eu nunca terei coragem de entrar aí — disse a Ruan. — Que nada. É só aprender a nadar e pronto! — Como se fosse fácil. — É fácil — disse com convicção. — Talvez pra você, não para mim. — Eu quero... — disse Erik, puxando minha mão e apontando para um homem que vende picolé. Um grupo de crianças está comprando, e eu teria que sair logo dali antes que ele quisesse outras coisas. — Ruan, é melhor irmos. — Deixa o menino comer o picolé! — Mas Ruan, ele passou m*l há pouco tempo. — Já faz uma semana e ele não comeu mais nada desse tipo, o que é um picolé? Erik me olha com os olhinhos pidões e eu não consegui dizer não. Eu realmente tinha que sair dali. — Só um! — digo e o sorriso dele ilumina seu rostinho. Compramos o picolé e saímos dali em seguida. Caminhamos no calçadão um pouco até chegarmos ao carro. Como ele tinha me dito, já tinha adiantado tudo para minha chegada. Tive medo que me dissesse que eu ficaria em sua casa, mas me levou a um hotel e disse que ficaria ali por alguns dias até o final dos testes e quando eu fosse aprovada, receberia um apartamento somente para mim. Tive medo com relação às dívidas, pois não tenho dinheiro para pagar, mas ele sempre me tranquiliza dizendo que a agência se responsabiliza por estes gastos. Subo para meu quarto e tiro a tarde para descansar. A noite Ruan me levará para jantar. *** — E então, o que está achando? — Da comida? — De tudo. Da cidade, do hotel, da comida... — Ele sorri e eu me derreto. Estou cada vez mais apegada e me acostumando com a presença dele. — Bem, eu adorei o hotel. O quarto é quase minha casa inteira... é bastante confortável. A comida do hotel também é boa, mas esse jantar está maravilhoso. — Fico honrado, senhorita! — Aquele sorriso novamente. — Muito bobo, você! — E você, Erik, o que está achando do passeio? — Ruan pergunta ao meu irmão que estava muito concentrado em seu pratinho. Erik balança a cabeça positivamente, sua única resposta antes de colocar uma garfada em sua boca. — Acho que isso é um “sim”! — diz Ruan. — Acho que é um "sim" também. Um restaurante italiano foi uma boa ideia. — Toda criança adora massas, e aqui ele pode comer algo que não seja tão pesado para ele. — E ele está amando — digo, levando um guardanapo à sua boca para limpar o molho. — Amanhã começa seu treinamento. Está animada? — Nem acredito que você conseguiu tudo isso tão rápido. — Por isso eu disse que seria importante você me responder rápido! Às oito horas esteja pronta, uma das meninas irá levá-la ao estúdio. Já tem uma creche temporária para seu irmão. — Como você é eficiente! — Eu sou o melhor, meu bem — diz e aproxima sua mão da minha. O calor dele percorre meu corpo, sento-me esquentar. Com certeza meu rosto fica vermelho. Ia dizer alguma coisa, mas quando olho em seus olhos, fico sem palavras. Aquele azul que encarei, pareceu mais profundo que o mar que vi mais cedo. A turbulência em seu interior me fez ter vontade mergulhar. Nem percebi que estava me aproximando dele. Seus olhos cada vez mais próximos e mais hipnotizantes. Senti seu hálito quente e não me importei. Nunca havia beijado alguém em minha vida, mas não há espaço para timidez ou medo, estou louca para me afogar naquele mar azul e profundo em minha frente. Se não fosse uma vozinha atravessar meus ouvidos, eu o teria beijado bem ali em meio a mesa de jantar do restaurante italiano. — O que vocês estão fazendo? — Erik fala. — É ... nada! Eu... — Não sabia o que falar. — É ... sua irmã... está com molho bem aqui, está vendo? — Ruan aproximou o dedão do meu lábio e limpou um molho inexistente. — Ah... — Ele disse inocente e voltou para seu prato. Depois daquilo não sabia onde enfiar minha cara. Perdi a fome, o restante da noite ficou esquisito, embora Ruan tenha tentado várias vezes trazer de volta o clima gostoso e relaxante que estava mais cedo. Depois da sobremesa, voltamos para o hotel. Ruan foi para sua casa e eu fui tentar dormir. Fiz tudo que se sabe que ajuda a pegar no sono. Pedi chá, leite morno, tudo dizendo que era para Erik, mas ele mesmo já estava em sono profundo. Mas eu não conseguia dormir. Os olhos de Ruan assombram minhas lembranças. A sensação que tive com seus olhos profundos fixos em mim. Sinto meu corpo se aquecer novamente com a lembrança, desse jeito que eu não ia dormir mesmo. Fiz de tudo para parar de pensar nisso, antes que fosse precisar de um banho frio. *** Na manhã seguinte, pontualmente às oito da manhã, o telefone de meu quarto toca. A garota que me levaria ao estúdio para o treinamento havia chegado. Pego meu irmão, sua pequena bolsa para a creche e a minha. Desço. Chegando no térreo uma figura me chamou a atenção. A garota a minha frente era extremamente bonita. Alta, cabelos negros, o corpo perfeito estava emoldurado por uma saia preta justa e uma blusa de tecido leve e um pouco transparente. Os saltos a deixava ainda mais alta e eu me senti muito pequena perto dela, quase uma criança. — Olá! Você deve ser a Luana? — Sim, sou eu! — Prazer, meu nome é Yara. — Ela parece ser simpática. — Han... este é meu irmão, Erik! — Ah... o famoso Erik! — Ela se abaixou para falar com meu irmão que já era todo sorrisos para Yara. Homens são todos iguais, desde crianças. — Vou te levar a um lugar muito legal onde você vai fazer novos amiguinhos. Vamos? — Ela estende a mão e ele aceita imediatamente. — Ele gostou de você — digo. — Eu amo crianças e elas costumam gostar de mim também! E assim meu primeiro dia no Rio de janeiro como futura modelo começa.
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