Tucano narrando Eu nunca fui bom com palavra, nem com sentimento. Cresci no meio do caos, aprendendo a bater antes de apanhar, a desconfiar antes de confiar. Mas hoje, naquela sala fria de hospital, com a Bruna deitada frágil na maca e o médico falando que a vida do nosso filho tava por um fio… alguma coisa dentro de mim quebrou. Parecia que o mundo inteiro parou. Cada sílaba do doutor era como soco seco no meu peito. E a única coisa que eu conseguia pensar era: “Se eu perder ela… se eu perder os dois… eu não vou me perdoar nunca.” Quando ele falou “repouso absoluto”, “riscos sérios”, “picos de estresse”, eu olhei pra ela e me senti o próprio problema. Eu que causei tudo isso. Com meu jeito bruto, com meu medo de não ser o suficiente, de ser como o pai que eu nunca conheci, como os home

