A cabine girava. O chão se inclinava. E tudo em que Chiara podia pensar era: Não, não vou desmaiar de novo!
Uma vez durante a vida era o bastante. O que era precisava fazer agora era fugir, não desmaiar.
O americano a colheu em seus braços.
— Fique comigo — ele dizia — Vamos lá, baby, fique comigo!
Ele a queria consciente durante o ato. Só perceber isto era o bastante para afastar a névoa cinza de seu cérebro. Chiara conclamou todas as suas forças e começou a bater com os punhos contra os ombros dele. Um golpe o acertou no queixo. Ele prendeu as mãos descontroladas com uma das dele e as segurou firmemente contra o peito.
— Ei! — disse. — Vá com calma!
Ir com calma? Ir com calma? Talvez as mulheres do mundo dele cedessem, mas ela lutaria até o que parecia seu último alento, pois este era um homem forte. Muito forte. Não importa o que ela fizesse, não conseguia se livrar dele.
— Chiara! Me ouça. Estou tentando ajudá-la.
— Mentiroso! Mentiroso, mentiroso, men...
— Maldição, você está louca?
Não, pensou Rafe, respondendo à própria pergunta. Não louca. Ela estava cega de pânico e ele não poderia culpá-la. O que diabos havia feito, a não ser rasgar as roupas dela daquele jeito? Ela sabia que o que viria a seguir seria...
Inferno.
Ele manteve uma mão presa nos pulsos dela, usou a outra para tentar juntar as bordas do vestido. Era impossível, especialmente com ela se debatendo durante todo o processo.
Chiara tinha alguns golpes perigosos. Ele precisava se lembrar disso. A maneira como ela podia dar uma joelhada, por exemplo, mirando com precisão. Chegar perto, tirar o equilíbrio dela, seria sua única proteção. Ele passou os braços ao redor dela, tirou-a do chão e trouxe-a com força contra si.
— Chiara! Pare de lutar contra mim!
A moça era a personificação de uma gata de briga.
E era macia. Muito macia. Os s***s se encostavam contra seu tórax. A barriga contra a virilha dele. Ela ainda estava lutando, se movendo contra ele, se esfregando nele...
Desesperado, Rafe passou os olhos ao redor Ele precisava de um local para colocá-la. O avião dos Orsini tinha um quarto privativo e um banheiro na parte de trás da cabine. Bem, havia uma porta na parte de trás deste aqui. Ele não tinha a mínima idéia do que haveria lá. Pelo que sabia, poderia ser até uma porta trancada, mas valia a pena...
Rafe suspirou de alívio.
A porta se abriu. E além dela havia um aposento. Uma sala de estar. Talvez um escritório. Havia uma escrivaninha.
Um pequeno lavabo visível além de uma porta parcialmente aberta. E, o melhor de tudo, um sofazinho de couro feito sob medida para acomodar uma fêmea fora de controle, pensou ele e fechou a porta com o ombro.
Ele foi direto até o sofá. Derrubou Chiara ali e ficou de pé.
Péssima idéia.
Em menos de um segundo ela estava de pé e tentando contorná-lo. Ele a segurou, lutou até colocá-la novamente no sofá, agachou-se na frente dela e segurou seus antebraços com as mãos.
— Me escute — disse —, não vou machucá-la.
Chiara mostrou os dentes. Um rottweiler treinado teria sido mais amigável. Rafe balançou a cabeça, frustrado. Tinha uma bagunça nas mãos e a culpa era somente dele. Ele havia matado sua esposa de susto. Era culpa dele, claro, mas como iria saber que ela explodiria como um paiol de pólvora caso a tocasse?
Você não apenas tocou nela, sussurrou aquela vozinha matreira dentro dele. Verdade. Ele partiu para cima dela como se estivesse sem controle. Mas de quem era a culpa, senão dela?
Uma mulher não podia brincar de quente-e-frio daquele jeito. Aquele beijo de manhã. Aquele momento de incrível entrega. Acaso ele deveria esquecer o que havia acontecido?
Sim, mas ela passara por muita coisa hoje. Ele também, mas não era a mesma coisa. Ele não fora ameaçado com a "bênção" de se tomar a esposa do capo de seu pai.
Pelo momento acreditaria que sua esposa não havia feito parte do acordo... por que novamente pensar nela como sua esposa? Ela não era nada além de um impedimento temporário em sua vida. Talvez se acalmasse assim que entendesse isso. Diabos, ela precisava se acalmar. Rafe respirou fundo.
— Veja — disse. — Desculpe-me por tê-la assustado. Eu nunca... quer dizer... eu não fazia idéia... A questão é que eu estava irritado. E..
Hora da verdade, pensou e respirou fundo novamente.
— Olhe, é o seguinte. Eu achei que você estava me enrolando. Achei que fizesse parte do plano. Sabe, para me convencer a me casar com você.
O rosto dela demonstrava incredulidade, mas ela parou de se debater, ao menos por enquanto.
— Certo — ele disse com cuidado. — Vou soltá-la. Depois vou me levantar e pegar sua mala para que você possa mudar de roupa. O.k.?
Chiara olhou para ele.
— Eu não fazia parte de nenhum plano — disse, com fria precisão.
— Você quer vestir algo ou não?
Ele podia vê-la ponderando a oferta. Então finalmente ela concordou com a cabeça.
— Certo. Bom — Lentamente ele retirou suas mãos dela. Ela se sacudiu enquanto ele se punha de pé. Estava horrível, não só com o vestido rasgado, mas seu rosto estava lívido, os olhos enormes e negros.
E ele era o motivo.
Ele, o i****a que disse sim ao casamento para salvá-la, tinha provocado isto.
— Eu já volto — ele disse com rapidez, saindo da saleta como se rasgar as roupas de uma mulher e quase matá-la de susto fossem ocorrências do dia a dia.
Ele não encontrou a mala dela. Melhor assim. Ela devia provavelmente estar entupida com vestidos negros e já vira o bastante deles por uma vida inteira. Ele pegou sua própria mala de mão e voltou para a saleta.
E parou.
Chiara estava exatamente onde ele a havia deixado, segurando a parte rasgada do vestido sobre os s***s. A única diferença era sua postura. Ela sentara com a cabeça baixa, o cabelo caindo pelo rosto. A luta havia deixado seu corpo, ela parecia pequena e vulnerável. Parecia derrotada, da mesma maneira como parecera na casa do pai.
Vê-la assim o corroía por dentro.
Ela tremia. De medo? Não, pensou Rafe, não desta vez. Ele deixou a mala de mão cair e correu até ela. Ela estava à beira de um choque. A adrenalina havia ido ao limite e então se exaurido, e este era o preço a se pagar.
— Chiara — disse, ao segurá-la.
Ela ergueu os olhos. Rafe conseguia ouvir-lhe os dentes batendo. Ele se xingou baixinho, ajoelhou-se e a pôs em seus braços.
Ela recusou se mexer, ele a trouxe ainda mais perto, sussurrando seu nome acariciando-lhe as costas com sua enorme mão. Gradualmente, sentiu o corpo dela ficar imóvel.
— Agora chega — disse suavemente, sua boca contra a testa de Chiara, sua mão ainda acalmando-a e, por fim, ela deu um suspiro e encostou-se nele.
Rafe fechou os olhos.
O rosto dela estava contra sua garganta, os lábios levemente entreabertos. Ele conseguia sentir o delicado suspiro da sua respiração, quente contra a pele dele.
Os braços dele a envolveram mais firmemente. Rafe a tirou do sofá e a pôs de joelhos. Sentiu as mãos dela contra seu tórax, uma palma encostada no seu coração.
Ela era tão pequena. Tão delicada. Ele podia sentir a fragilidade dos ossos dela.
— O.k.? — perguntou suavemente. Ela respondeu, contida:
— Sim. Agora por favor me solte, signor Orsini.
Rafe levantou-se e buscou a mala de mão. Ela sentou-se novamente no sofá, um exemplo de compostura exceto pelo vestido em frangalhos. Ele pigarreou, derrubou a mala no chão e a apontou com o queixo.
— Nada ali vai lhe servir bem, é claro — disse bruscamente.
— Tenho minhas próprias coisas. Em minha mala.
— Sim, bem, eu peguei a primeira mala que encontrei. De qualquer forma, há algumas coisas que podem lhe servir Jeans, malhas, um par de camisetas.. — Ele balbuciava. Ela podia se virar sozinha, assim que ele lhe desse um pouco de privacidade — Vou, hã, vou esperar lá fora. Me avise quando estiver pronta e então... e então conversaremos. O.k.?
Chiara concordou com a cabeça. O rosto não denunciou nada, mas, considerando tudo, ele deduziu que as coisas caminhavam bem. Assentiu em resposta, saiu do aposento, fechou a porta, cruzou os braços...
E esperou.
Quando já havia decidido que ela fingia que ele não existia, a porta se abriu.
Ela usava uma das camisetas dele por cima de um de seus shorts de ginástica. A camiseta cobria até os joelhos dela, o short ia até o meio da panturrilha. Estava descalça. Seu cabelo era uma leve névoa de seda da cor do chocolate n***o. Ele deduziu que ela encontrou a escova dele e a usara.
Ela deveria estar com uma aparência engraçada. Ao menos ridícula.
Não estava.
Estava linda.
Ele sorriu. Grande erro. Ela levantou o queixo e ele sabia que estava pronta para lhe fazer passar por um inferno.
— Muito obrigado pelas roupas, signor.
— É só Rafe.
— Obrigada, signor Orsini — ela repetiu e inspirou profundamente. O tecido de algodão da camiseta se projetou de um jeito que levou os olhos dele para os s***s. — E por isso aqui — continuou, em uma voz que o fez parar de pensar sobre a camiseta e sobre o que havia por debaixo dela. Levantando os olhos, ele viu o inconfundível brilho do aço na mão dela — Me toque novamente e mato você!
Droga. A escova não era a única coisa que ela havia encontrado. Ela encontrou também sua tesoura de unhas.
— Chiara — ele disse calmamente —, abaixe isso.
— Não até chegarmos a Nova York e você me libertar.
— Você está livre. — A boca dele se contorceu. — Eu me casei com você. Não a comprei.
— Eu já lhe disse. Quero a anulação. Um divórcio. O que for legalmente necessário.
Ele sentia sua própria irritação aumentar Ela dificilmente estava em posição de fazer exigências.
— Tenho dinheiro.
As sobrancelhas dele se arquearam.
— O quê?
— Tenho as jóias de minha mãe. Já lhe falei sobre elas. Obviamente você não estava me ouvindo. — Seus olhos encontraram os dele. — São muito valiosas. Eu as darei em troca de minha liberdade.
A mulher tinha uma opinião incrível sobre ele. Ele teve de se lembrar de manter a calma.
— Você acha que isto é um bazar? Que pode pechinchar comigo para conseguir o que quer?
O rosto dela ficou vermelho.
— Não. Não quis dizer... — Ela inspirou profundamente — Estou vendo o que está tentando fazer, signor. Está pensando que se levar esta conversa para outro lado, irá me dissuadir.
Ele arqueou uma sobrancelha n***a — Dissuadir?
— Si. Significa...
— Sei o que significa. Que alguém lhe ensinou palavras pomposas em inglês naquele buraco em forma de vilarejo.
— San Giuseppe não é "meu" vilarejo — disse ela friamente. — E sim, a srta. Ellis me ensinou, como você diz, um inglês pomposo.
— Uma das namoradas de seu pai?
— Uma de minhas tutoras — disse Chiara e levantou o queixo — Graças a ela você não poderá me dissuadir em inglês ou em várias outras línguas.
— Eu deveria estar impressionado?
— Você deveria estar avisado, signor Orsini. Não estou preparada para aceitar sem luta o que você e meu pai me empurraram goela abaixo.
Rafe deu um sorrisinho.
— Acha isto divertido, signor? Juro que me defenderei caso se aproxime de novo.
Ele pensou em ir direto até ela e arrancar a tesoura de suas mãos. Ele não se machucaria, seria como tirar doce de uma criança, mas, diabos, isto estava ficando interessante.
— Então, você quer se livrar deste casamento.
— Não é um casamento, é uma aliança entre meu pai e o seu.
— Que seja — disse, como se não soubesse que ela talvez estivesse certa. Ele sacudiu de leve a cabeça. — Pelo jeito as mulheres modernas não acreditam mais em manter seus votos.
Chiara estalou a língua.
— Que besteira! Nenhum de nós quer este casamento e você sabe disto.
Por alguma razão, a certeza dela o irritou.
— E você sabe disto por que...? Quero dizer — continuou, como se fosse a voz da razão. — Sou italiano. E se eu não acreditar em divórcio?
E se o sol explodisse? Ele não era italiano, exceto por descendência. Ele era americano. Era como se via. E embora não acreditasse que as pessoas devessem ficar entrando e saindo de casamentos, ele efetivamente acreditava no divórcio quando nenhuma outra solução fosse mais possível.
Como agora, quando os dois haviam sido forçados em uma união que nenhum queria... que era exatamente o que ela tinha dito.
Sim, mas por que facilitar as coisas para ela?
Ele fora ludibriado para dentro desta situação. Mesmo se ela não houvesse participado do plano, ela também não havia protestado. Agora ela queria cair fora. Tudo bem, ele também. Mas antes ele queria algumas respostas. E esta mulher, sua esposa, era a única que poderia fornecê-las.
— Estou esperando, baby. Por que eu deveria concordar com um divórcio? Afinal de contas, cruzei um oceano para me casar com você.
Chiara piscou os olhos.
— Mas você disse a meu pai...
— Sei o que disse a ele. Eu disse que não desejava me casar com você — Rafe deu de ombros. — Qualquer bom homem de negócios sabe que não deve aceitar a primeira oferta ao entrar em uma negociação.
— Uma negociação? — Ela o encarou em descrença. — Você quer dizer... você quer dizer que sempre teve a intenção de seguir com tudo até o final? Que apenas deixou meu pai pensar que poderia me entregar àquele... àquele animal?
— Eu não disse isto.
— Deixou implícito.
Primeiro dissuadir, agora implícito. Palavras difíceis, mesmo para falantes nativos, o que Chiara não era. O que ela era, sua pequena esposa armada com tesoura, é uma fonte de surpresas.
— Eu me casei com você — ele disse calmamente. — Não importam meus motivos. E em relação a você... não vi papai lhe apontando uma pistola durante a cerimônia.
— Não entendo o que isto quer dizer.
— Quer dizer que você se casou comigo sem sequer um protesto.
— Eu teria me casado com um... um asno, se isto significasse não ter de me casar com Giglio!
— Você também não é nenhum bilhete premiado, baby. As bochechas dela ficaram vermelhas.
— Você sabe o que quero dizer. E não me chame de "baby". Sou uma mulher adulta.
Sim. Ela era, como disse, uma mulher adulta. Sua mulher. Sua esposa.
Rafe sentiu o corpo se agitar. Eles estavam sozinhos, faltavam ainda algumas horas para a aterrissagem. Ele quase a matara de susto ao avançar sobre ela com a sutileza de um touro alucinado, mas num momento em que tinha feito um julgamento errado a seu respeito.
Ela não era uma femme fatale. Era inexperiente. Afinal de contas, quantos amantes poderia uma mulher ter em um vilarejo do tamanho de San Giuseppe?
A reação dela a ele não fora teatral. Acontecera porque ele não usara de finesse. Ela estava louca de medo. Medo real e honesto. Alguma coisa horrível havia ocorrido a ela antes. Alguma coisa que a machucara tanto que ela teve de se esconder por debaixo daqueles horríveis vestidos pretos.
Quem fizera aquilo com ela? Certamente um homem. Giglio? Um dos outros brutos que o pai dela empregava?
Ele foi tomado de um ódio irascível. Ele convenceu a si mesmo que sentiria isto em relação ao estupro de qualquer mulher, que não era nada que sentia em particular por Chiara.
— Chiara.
Ela olhou para ele.
— Quem a machucou?
Ela o encarou. A cor sumiu-lhe do rosto.
— Não sei o que quer dizer.
— Sim, você sabe. Por que gritou quando a toquei?
— Quer dizer, por que não me derreti de prazer?
As palavras escorriam veneno, mas ela não o derrubaria tão facilmente. Rafe cruzou os braços.
É uma pergunta simples. O que a deixou tão aterrorizada em relação aos homens?
— O que quer dizer é: por que não estou disposta a deixar os homens conseguirem o que querem comigo?
— Que tal você parar de me dizer o que quero dizer e apenas responder às minhas perguntas? Do que tem medo?
— Se jogarmos uma partida do "Jogo das Vinte Perguntas", eu ganho um divórcio?
Em dois passos ele estava diante dela. A mão de Chiara se levantou, a tesourinha brilhava. Rafe não gostava de joguinhos. Ele pegou o pulso dela, arrancou a tesoura de sua mão e jogou o objeto no sofá.
Uma pergunta — ele disse bruscamente —, e quero uma resposta. Por que você tem medo de sexo?
— Não tenho medo. Além disso, o que tenho ou não tenho não é da sua conta.
A mulher era impossível!
— É da minha conta sim — ele disse rapidamente. — Você é minha esposa.
Ela gargalhou. Diabos, ele não poderia culpá-la. A verdade era que ela não era mais esposa dele do que ele marido dela.
Exceto que ele era. Tinha um documento enfiado em seu passaporte que provava isso.
— Era por que você achava que eu iria... — Ele sentiu o rosto ficar quente — forçá-la? — Ele pôs as mãos nos ombros dela. — Eu não iria. Fui agressivo, verdade, e não deveria ter sido. Mas nunca a tomaria contra sua vontade.
— Os olhos dela o chamaram de mentiroso. Ele não podia culpá-la por esta reação também. — É verdade. Não sou nenhum santo, mas nunca forçaria uma mulher a fazer amor comigo.
— Amor — ela disse, com uma risadinha de desdém.
— É isto que homens e mulheres fazem. Fazem amor.
— As mãos dele a seguravam. — Eu nunca dormiria com uma mulher que não me quisesse.
Não, pensou Chiara. Não, ele não precisaria.
Uma mulher cederia a ele voluntariamente. Raffaele Orsini era todas as coisas que as mulheres supostamente querem em um homem. Era forte, bonito e tão masculino que em certos momentos a deixava tonta.
Então, se uma mulher gostasse de sexo, gostaria dele. E havia mulheres que gostavam de sexo. Ela não era boba. Entendia isto, embora nunca quisesse ser uma daquelas mulheres.
Não importava o que ele afirmasse, sexo era algo para homens. Uma mulher tinha que ceder àquilo, se fosse casada. À nudez. À i********e. Ao corpo contra corpo, ao cheiro de suor, à terrível, dolorosa e humilhante invasão de seu corpo...
A mãe havia lhe explicado tudo para que estivesse preparada quando, chegasse o momento de ser desposada.
— Não quero que minha filha vá para sua noite de núpcias sem saber o que a espera — mama lhe havia dito.
Um calafrio passou por ela. O americano reparou. Como um grande e bravo macho que era, reagiu instantaneamente.
— Chiara.
Ela balançou a cabeça, deu um passo para trás, mas ele passou os braços por ela e a trouxe mais próxima. Ela o deixou fazer isto. Quanto mais cedo o convencesse de que estava bem, mais cedo ele a soltaria.
Ela sentia o calor vindo dele. Sentia a dureza de seu corpo masculino. Sentia o aroma masculino. O medo a fez engasgar. Ele parecia saber disso e começou a sussurrar como fizera alguns minutos atrás. Tinha de admitir que naquela situação ele a havia acalmado, mas ela estivera em choque. Fora o calor dele que a acalmara.
Ela disse a si mesma que um cobertor teria tido o mesmo efeito.
Ainda assim, sentiu-se respondendo ao toque calmante dele, à voz dele. Ela suspirou, fechou os olhos, sentiu uma das mãos dele acariciar seu cabelo, pegar delicadamente seu rosto, levar seu rosto até o dele...
Chiara se jogou para trás.
— Não me toque!
Rafe afastou-lhe as mãos com extremo cuidado. Ela o olhava como se ele fosse um serial killer. Sem dúvida, nenhuma a moça tinha qualquer problema. Mas não era problema dele. Ela não era problema dele. No minuto em que chegassem a Nova York, ele ligaria para sua advogada e lhe diria para começar a lidar com o que fosse necessário para encerrar com esta fraude de casamento.
O quanto antes se livrasse desta bagunça melhor.