Cap.8 Fernanda

1207 Words
Assim que o Rafael saiu, eu fui até o seu quarto e observei o cenário cinza e sem vida, as coisas simples. Segui para seu closet e peguei uma camisa azul marinho dele e tomei a liberdade de pegar uma cueca box branca. Eu não tinha roupa, não tinha como me vestir e não sentia nojo dele. Percebi uma certa desorganização por parte dele e aproveitei para arrumar todas as suas roupas, em seguida organizei seu quarto. Fui ao banheiro e com cuidado tomei um banho, vesti a roupa que separei e escovei meus dentes com a sua escova. Aquele lugar tinha um cheiro forte de homem. O perfume dele estava por todos os cantos. Abro um sorriso, mesmo no meio de uma tempestade, eu confesso que ele foi a luz no fim do túnel. Ele me salvou da escuridão. Respiro fundo e desço as escadas. Sigo para a sala e organizo as coisas, percebo que muitos lugares ali não têm vida, ele é simples e sem cor. Precisa de flores para que isso der certo, mas não sei onde posso encontrar essas flores. Após arrumar a casa, sigo para a cozinha e vou até a geladeira onde encontro umas comidas requintadas e estragadas. Tomo a liberdade de jogar tudo no lixo e preparo uma nova comida. Faço carne de panela, arroz e feijão. Com cuidado organizo toda a mesa e fico esperando-o para comer, mas o tempo passa e ele não aparece. Sento-me no sofá e fico assistindo TV, meu estomago conversa comigo e o relógio marca 15 horas, naquele momento eu percebi que ele não iria vir. Sei que preciso esperar o dono da casa para comer, mas a minha barriga está roncando e eu não consigo esperar. Vou até a cozinha, preparo o meu prato e me alimento em silêncio, após isso lavo o meu prato e deixo a mesa aposta. Vencida pelo cansaço me deixo de bruços no sofá e fecho os olhos. Com o tempo pego no sono naquele lugar. Desperto sentindo um cheiro forte, ele estava próximo a mim e me observava com uma interrogação nos olhos. Levanto-me sem jeito e abro um sorriso. — Rafael, você chegou. Desculpas, eu dormi no seu sofá, pois estava com sono. — Digo sem jeito. — Pode fazer o que quiser aqui. — Diz seco. — Eu comi, fiquei te esperando para o almoço, mas você demorou. — Fala. — Não me espere. Coma o que quiser. — Diz. — Você deve estar com fome, eu vou esquentar as comidas. — Digo e e levanto-me de vez, mas ele segura meu braço. — Não precisa esquentar comida para mim, não se preocupa com essas porras. — Afirma. — É o mínimo que eu posso fazer pelo cara que me salvou. — Falo olhando nos seus olhos e ele balança a cabeça. — Não sou santo Rapunzel. Eu não sei o que está passando por essa sua cabecinha, mas se mantenha longe de mim. — Diz e eu me assusto com sua afirmação. — Quer que eu vá embora? — Questiono em um sussurro. Fecho os olhos e meu coração acelera. — Se sair dessa casa, ele vai atrás de você. Sua beleza é fora do normal. O filho da p**a do Malvadão vai atrás de você até no inferno. O certo é você ficar aqui, se for vai para o inferno. Eu estou dizendo que nos dois não seremos próximos. Fica no seu canto e eu fico no meu. Não se preocupa em fazer as coisas para mim. — Diz. — Não custa nada, se eu estou dentro dessa casa, eu posso cozinhar para você, cuidar das suas coisas. — Falo sem jeito. — Vai para minha cama também? — Pergunta frio. — Isso não, é o que você? Quer que eu me entregue a você, para demonstrar que estou grata por você ter me salvo do Malvadão? — Pergunto com lágrimas nos olhos. — Você disse que faria tudo o que eu quisesse para provar a p***a da sua gratidão. Não preciso que arrume as coisas, preciso que se deite comigo e transe. Você quer isso? — Pergunta. — Eu me enganei? Todos querem a mesma coisa, você quer isso. — Falo nervosa. — Essa p***a de conversa de que você não é a mulher do Malvadão. Quem me garante que é verdade? — Pergunta nervoso. — Pelo amor de Deus, olha para mim. Eu não sou mulher daquele monstro e nunca serei. Eu prefiro a morte, eu já disse. Pega a sua arma e me mata de uma vez. — Falo nervosa. — Não vou te matar. — Diz tocando meu rosto. — O que vai fazer comigo? — Pergunto nervosa. — Não decidir ainda. Você é muito bonita, se quiser pagar o que fiz com você, vá para meu quarto, tire toda sua roupa e se deite na cama. — Fala. — Não, eu nunca vou fazer isso! Me mate. — Digo séria. — Se afaste de mim, eu não sou o príncipe que você pensa. Assim como o Malvadão, eu sou um traficante. O fato de ter te salvado não me coloca em um pedestal, não fique dependendo de mim. Seja dependente de si mesma. Eu perdi meus pais e sei a p***a da dor que você está sentindo, sei o medo, também sei que você está confiando cegamente em mim, mas eu sou um monstro também, menininhas indefesas não devem confiar em monstro. — Diz e eu toco seu rosto. — Todo monstro tem um coração, só as pessoas puras conseguem ver ele. As menininhas indefesas são puras, elas acreditam na humanidade das pessoas. Eu acredito que você tem um coração. — Digo deixando-o desconcertado. — Se afaste de mim, você pode ficar nessa casa, mas mantenha distância. Meu espaço, seu espaço. Bem longe de mim. — Rosna e sobe as escadas. Sento-me no sofá com lágrimas nos olhos. — Meu Deus, esse homem é frio, meu coração está aquecido. Confesso que o fato dele ter me salvo me fez acreditar na humanidade dele. Se o senhor me deixou passar por tudo isso, fez eu conhecer ele, isso significa que tem um proposito, doeu ele dizer para eu me manter afastada e mesmo parecendo loucura, vou me esforçar ao máximo para mostrar para ele que sim, nos podemos acreditar no amor, na bondade das pessoas. Eu acredito que ele é bom, não tem explicativa para o que ele fez por mim. Levanto-me com cuidado e vou para cozinha. Esquento toda a comida, coloco um prato em cima de uma bandeja, um copo de suco e escrevo um bilhete. “ Eu acredito que tem um coração batendo no seu peito! Sou grata por ter me salvado e espero que goste da comida, pois eu fiz com amor! Assinado: Rapunzel.” Subi as escadas com cuidado, coloquei a bandeja na porta do quarto dele e bati na porta. Sair dali correndo e entrei no meu quarto. Ouvir o som da porta do quarto dele e pela greta da porta do meu quarto vir quando ele se abaixou para pegar a bandeja. Ele leu o bilhete e abriu um lindo sorriso. Fechei a porta do meu quarto e sorrir para o nada.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD