Lutando contra a vontade de ceder

398 Words
Nos dias que se seguiram, Clara decidiu manter o foco no seu trabalho, sem criar expectativas em relação a Henrique. Ela sabia que se deixasse suas emoções tomarem conta, poderia perder a clareza e a determinação que a haviam levado até ali. Henrique, por sua vez, sentia-se cada vez mais frustrado. Ele não estava acostumado a ser ignorado, e a indiferença de Clara o deixava intrigado e mais obcecado. Observava-a de longe, notando como ela se dedicava às suas tarefas com uma concentração implacável. Ele queria provocá-la, fazê-la olhar para ele da mesma forma intensa de antes, mas Clara era uma fortaleza de determinação. Ela evitava encontros desnecessários, limitando as interações ao estritamente profissional. Cada vez que Henrique tentava puxar uma conversa mais pessoal, ela desviava habilmente, mantendo-se firme em seu propósito. Isso só aumentava o desejo dele, a necessidade de quebrar aquela barreira que Clara havia erguido. Uma noite, ao trabalhar até tarde novamente, Clara estava sozinha na sala de conferências, revisando um contrato complicado. Henrique entrou, fechando a porta atrás de si. A tensão no ar era palpável. "Clara, precisamos conversar", disse ele, sua voz baixa e controlada. Ela olhou para ele, os olhos verdes firmes. "Estamos conversando, Henrique. O que você precisa?" Ele se aproximou, seus olhos fixos nos dela. "Você sabe muito bem do que estou falando. Não posso continuar assim. Você me deixa louco." Clara respirou fundo, tentando manter a calma. "Henrique, somos profissionais. Eu estou aqui para aprender e crescer na minha carreira, não para me envolver em... distrações." Henrique se aproximou ainda mais, seu rosto a poucos centímetros do dela. "Você acha que pode ignorar o que aconteceu entre nós? A química, a paixão... você pode simplesmente fingir que não sente nada?" Ela sustentou o olhar, lutando contra a vontade de ceder. "Eu sinto, Henrique. Mas também sei que preciso ser forte. Não vou deixar meus sentimentos atrapalharem minha vida profissional." Henrique a observou por um momento, vendo a determinação nos olhos dela. Ele sabia que precisaria ser paciente, ganhar a confiança de Clara de uma forma diferente. "Muito bem", disse ele finalmente. "Mas saiba que não vou desistir de você tão facilmente." Clara manteve a postura firme, mas por dentro, sentia uma mistura de alívio e inquietação. Sabia que a batalha estava longe de terminar, e que, no fundo, parte dela ainda queria se render ao desejo que Henrique despertava.
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