Galera so pra ninguem ficar perdidos nos nomes que iria vou colocar nesse cap.
Kojo=Bakari
Taye=Dayo
Babátúndé= Akin
Adenike-Ife =Carla
Lueji=Grazy
Zuri= Arlane
Akin
Acordo com uma luz muito forte no meu rosto, coloco a mão no rosto para tampar um pouco.
— Que bom, já acordou! — escuto uma voz feminina e olho para o lado.
Tem mulher de meia-idade muito bonita, por sinal.
Ela é n***a, tem cabelos longos e cacheados e tem a mesma cor de olhos da Carla.
— Quem é você?
– Levanta, precisamos ir ao momento da história.
— Como?
— Levanta! — ela diz e eu me levanto.
— Onde eu estou?
— Você está no limiar, é uma colônia espiritual onde alguns espíritos vêm.
– O que estou fazendo aqui?
— Você vai saber logo — aparece um ser de capuz, todo de preto.
— Demorou, hein? — a mulher diz, e o ser de capuz tira, revelando um rosto jovem com um olhar de deboche.
— Tá bom, tia, o que tenho que fazer?
— Continua me respondendo assim pra ver se não falo com a 7 catatumbas — o rapazinho respira fundo.
— O que tenho de fazer, tia Mulambo? — ele fala com jeito doce, mas está na cara que está com puro sarcasmo.
Ela respira.
— Porteirinha a 7 não te falou?
— Ela disse para eu vir aqui e abrir um portal para um tempo no passado e levar alguém.
— E ele é quem você vai ter que levar — a mulher aponta para mim. Ele me olha de cima a baixo.
— Ele ainda está vivo.
– Sim, é para você trazê-lo com segurança.
– O que vou ganhar com isso?
— Não vai levar um cascudo — o rapazinho respira fundo e levanta uma sobrancelha.
– E quem me daria esse cascudo?
— Você não vai querer que eu faça isso, né? — Do nada aparece um homem super alto, colocando uma mão na cabeça do menino. O menino vai virando devagar até olhar para o homem.
— Não, tio tranca-rua.
— Ótimo, agora faça o que Maria mandou. — O menino balança a cabeça e se afasta um pouco.
Ele levanta um braço e depois abaixa, tipo cortando algo, e abre o espaço. Vem areia do outro lado.
— Vem logo! — ele diz para mim, e vou com ele.
Entramos nesse portal e estávamos na frente de um portão enorme, e estava ventando muito.
Atravessamos esse portão e parecia uma cidade em festa.
– O que estamos fazendo?
– Isso é a lembrança do seu espírito. Não sei por que me mandaram aqui.
– Então, isso é minha lembrança?
– É lento, em tio?
— Não estou entendendo nada.
— Se mandaram aqui, é para o senhor ver algo; eles não fariam nada se não tivesse um propósito. — Ficamos andando e chegamos ao local onde estava mais enfeitado e tinha gente rindo e brindando.
Meus olhos caem direto em uma mulher que estava com véu azul. Vou me aproximando dela como ímã; meu braço e puxado.
— Pare e observe! — o rapaz me diz, me segurando.
Aparecem tipo uns soldados e um cara que estava sentado tipo no trono se levanta, e os soldados param.
O homem levanta e ele era bem alto.
— Chamou meu rei?
– Babátúndé, meu general, chamei você e os seus homens para proteger a nossa joia – ele levanta a mão para a mulher com véu no rosto, que se levanta e vai até o rei. – A nossa última Iyami Àjé.
Enfim, a mulher tira o véu, mostrando o rosto, e a beleza dela era magnífica. Ela era bem jovem; não daria menos de 17 anos para ela.
– Escolha 20 dos seus melhores homens para fazer a proteção dela, Babátúndé. Ela é nossa joia agora!
– Farei isso, meu rei! – Babátúndé abaixa a cabeça e vira olhando para trás. – Kojo – ele diz, e um dos homens se aproxima. – Taye – mais um se aproxima, depois ele vai falando outros nomes. – Pelo rei Béhanzin, iremos proteger a joia do nosso reino. – Babátúndé vira, e ele ajoelha na frente do rei e da mulher de véu.
— A partir de hoje, vocês protegerão Adenike-Ife — o rei aponta para a mulher de véu azul. — Lueji, a que está com véu dourado. — Zuri, essa está com véu branco com dourado e azul. — Elas são irmãs de Adenike-Ife e as três têm que ser protegidas — o rei diz.
— Vamos! — o rapaz me puxa.
– Preciso ver mais.
— Não, já deu o tempo. Se ficarmos aqui, vamos ter problemas, e a última coisa que preciso é ter problemas — ele faz o mesmo que antes, abrindo um portal, e voltamos para onde acordei.
A mulher de antes está lá, olhando para o céu.
— Pronto, tia, preciso ir.
— Obrigada, deixei um negócio para você com a 7. — O rapazinho sorriu e saiu correndo. Ela olhou para mim — viu?
– O que isso significa?
— Você precisa lembrar de algumas coisas, só dei um empurrão.
– Por quê?
— Senta aqui! — ela aponta para o lado dela e me sento. Ela volta a olhar para cima. — Vamos nos ver brevemente, menino, mas vai ser de outra forma. — Ela me olha e depois volta a olhar para o céu. — Menino, todos os seres encarnados têm extremos.
— Como assim? Extremos?
– Dentro de todos tem dois lados, e a gente não pode escolher só um para acolhermos.
– Por que isso?
– Porque carregamos esses extremos dentro de nós.
Existe uma parte que acolhe. E outra que precisa colocar um fim.
Uma que ama.
Outra que incinera aquilo que impede o amor de florescer.
Caminho espiritual não consiste em destruir nossa intensidade para parecermos "evoluídos".
– Não estou entendendo.
— O que você viu foi no início, quando você não acreditava, mas agora você quer aprender o que não aprendeu antes — fico olhando para ela. — Agora você precisa, agora vai ser mais fácil para você lembrar e não julgar como antes. — Ela dá três tapas na minha testa e acordo em um lugar escuro, mas tinha um cheiro gostoso que, por sinal, já tinha sentido em casa. Acho que tem café misturado com alguma coisa.
Levanto-me, abro a porta e entro logo no barracão.
Meus olhos percorrem todo lugar que está cheio de gente. Encontro a Carla sentada em um banquinho, curvada, tomando algo em uma cuia. Vou até ela.
– Akin, calma! – Arlane segura o meu braço.
– Preciso ir até ela.
– Calma, como você está se sentindo?
— Tô bem! — uma moça senta na frente da Carla, que dá a cuia para a moça. Não demora muito e a moça sai.
— Agora vai! — Vou e me sento no banquinho.
– Oh, zifio – a voz da Carla estava baixa, mas não sei explicar, parecia voz de vó mesmo e dava paz. Não sei por que comecei a chorar. — Chora, zifio, a preta aqui! — Chorei mais ainda. Ela começou a passar as mãos ao meu redor e, a cada passada de mão, parece que um peso enorme saía de mim.
Nossa, que paz é essa?