passado

1227 Words
Galera so pra ninguem ficar perdidos nos nomes que iria vou colocar nesse cap. Kojo=Bakari Taye=Dayo Babátúndé= Akin Adenike-Ife =Carla Lueji=Grazy Zuri= Arlane Akin Acordo com uma luz muito forte no meu rosto, coloco a mão no rosto para tampar um pouco. — Que bom, já acordou! — escuto uma voz feminina e olho para o lado. Tem mulher de meia-idade muito bonita, por sinal. Ela é n***a, tem cabelos longos e cacheados e tem a mesma cor de olhos da Carla. — Quem é você? – Levanta, precisamos ir ao momento da história. — Como? — Levanta! — ela diz e eu me levanto. — Onde eu estou? — Você está no limiar, é uma colônia espiritual onde alguns espíritos vêm. – O que estou fazendo aqui? — Você vai saber logo — aparece um ser de capuz, todo de preto. — Demorou, hein? — a mulher diz, e o ser de capuz tira, revelando um rosto jovem com um olhar de deboche. — Tá bom, tia, o que tenho que fazer? — Continua me respondendo assim pra ver se não falo com a 7 catatumbas — o rapazinho respira fundo. — O que tenho de fazer, tia Mulambo? — ele fala com jeito doce, mas está na cara que está com puro sarcasmo. Ela respira. — Porteirinha a 7 não te falou? — Ela disse para eu vir aqui e abrir um portal para um tempo no passado e levar alguém. — E ele é quem você vai ter que levar — a mulher aponta para mim. Ele me olha de cima a baixo. — Ele ainda está vivo. – Sim, é para você trazê-lo com segurança. – O que vou ganhar com isso? — Não vai levar um cascudo — o rapazinho respira fundo e levanta uma sobrancelha. – E quem me daria esse cascudo? — Você não vai querer que eu faça isso, né? — Do nada aparece um homem super alto, colocando uma mão na cabeça do menino. O menino vai virando devagar até olhar para o homem. — Não, tio tranca-rua. — Ótimo, agora faça o que Maria mandou. — O menino balança a cabeça e se afasta um pouco. Ele levanta um braço e depois abaixa, tipo cortando algo, e abre o espaço. Vem areia do outro lado. — Vem logo! — ele diz para mim, e vou com ele. Entramos nesse portal e estávamos na frente de um portão enorme, e estava ventando muito. Atravessamos esse portão e parecia uma cidade em festa. – O que estamos fazendo? – Isso é a lembrança do seu espírito. Não sei por que me mandaram aqui. – Então, isso é minha lembrança? – É lento, em tio? — Não estou entendendo nada. — Se mandaram aqui, é para o senhor ver algo; eles não fariam nada se não tivesse um propósito. — Ficamos andando e chegamos ao local onde estava mais enfeitado e tinha gente rindo e brindando. Meus olhos caem direto em uma mulher que estava com véu azul. Vou me aproximando dela como ímã; meu braço e puxado. — Pare e observe! — o rapaz me diz, me segurando. Aparecem tipo uns soldados e um cara que estava sentado tipo no trono se levanta, e os soldados param. O homem levanta e ele era bem alto. — Chamou meu rei? – Babátúndé, meu general, chamei você e os seus homens para proteger a nossa joia – ele levanta a mão para a mulher com véu no rosto, que se levanta e vai até o rei. – A nossa última Iyami Àjé. Enfim, a mulher tira o véu, mostrando o rosto, e a beleza dela era magnífica. Ela era bem jovem; não daria menos de 17 anos para ela. – Escolha 20 dos seus melhores homens para fazer a proteção dela, Babátúndé. Ela é nossa joia agora! – Farei isso, meu rei! – Babátúndé abaixa a cabeça e vira olhando para trás. – Kojo – ele diz, e um dos homens se aproxima. – Taye – mais um se aproxima, depois ele vai falando outros nomes. – Pelo rei Béhanzin, iremos proteger a joia do nosso reino. – Babátúndé vira, e ele ajoelha na frente do rei e da mulher de véu. — A partir de hoje, vocês protegerão Adenike-Ife — o rei aponta para a mulher de véu azul. — Lueji, a que está com véu dourado. — Zuri, essa está com véu branco com dourado e azul. — Elas são irmãs de Adenike-Ife e as três têm que ser protegidas — o rei diz. — Vamos! — o rapaz me puxa. – Preciso ver mais. — Não, já deu o tempo. Se ficarmos aqui, vamos ter problemas, e a última coisa que preciso é ter problemas — ele faz o mesmo que antes, abrindo um portal, e voltamos para onde acordei. A mulher de antes está lá, olhando para o céu. — Pronto, tia, preciso ir. — Obrigada, deixei um negócio para você com a 7. — O rapazinho sorriu e saiu correndo. Ela olhou para mim — viu? – O que isso significa? — Você precisa lembrar de algumas coisas, só dei um empurrão. – Por quê? — Senta aqui! — ela aponta para o lado dela e me sento. Ela volta a olhar para cima. — Vamos nos ver brevemente, menino, mas vai ser de outra forma. — Ela me olha e depois volta a olhar para o céu. — Menino, todos os seres encarnados têm extremos. — Como assim? Extremos? – Dentro de todos tem dois lados, e a gente não pode escolher só um para acolhermos. – Por que isso? – Porque carregamos esses extremos dentro de nós. Existe uma parte que acolhe. E outra que precisa colocar um fim. Uma que ama. Outra que incinera aquilo que impede o amor de florescer. Caminho espiritual não consiste em destruir nossa intensidade para parecermos "evoluídos". – Não estou entendendo. — O que você viu foi no início, quando você não acreditava, mas agora você quer aprender o que não aprendeu antes — fico olhando para ela. — Agora você precisa, agora vai ser mais fácil para você lembrar e não julgar como antes. — Ela dá três tapas na minha testa e acordo em um lugar escuro, mas tinha um cheiro gostoso que, por sinal, já tinha sentido em casa. Acho que tem café misturado com alguma coisa. Levanto-me, abro a porta e entro logo no barracão. Meus olhos percorrem todo lugar que está cheio de gente. Encontro a Carla sentada em um banquinho, curvada, tomando algo em uma cuia. Vou até ela. – Akin, calma! – Arlane segura o meu braço. – Preciso ir até ela. – Calma, como você está se sentindo? — Tô bem! — uma moça senta na frente da Carla, que dá a cuia para a moça. Não demora muito e a moça sai. — Agora vai! — Vou e me sento no banquinho. – Oh, zifio – a voz da Carla estava baixa, mas não sei explicar, parecia voz de vó mesmo e dava paz. Não sei por que comecei a chorar. — Chora, zifio, a preta aqui! — Chorei mais ainda. Ela começou a passar as mãos ao meu redor e, a cada passada de mão, parece que um peso enorme saía de mim. Nossa, que paz é essa?
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