comida de conforto

1355 Words
Carla Vou indicando o caminho da minha casa para o Akin e mando ele parar na frente de casa. Aperto o botão para abrir; logo ele coloca meu carro para dentro. – Pensei que você morava em condomínio também – Akin diz e dá um sorriso. — A titia é macumbeira e expulsaram ela do condomínio em que ela morava antes — Junior fala e olho para trás. — Desculpa! — ele sai do carro. — Sério? – Sim – desço do carro também e abro a porta para os meninos. – Bora banho, escovar dentes e dormir. Não demora, o Tupã aparece correndo e começa a fazer festa com os meninos. – Esse que é teu cachorro? – Sim, tupã. – Quantos meses ele tem? – Tá com 6. – Ele é grande. – Ele é um filhote de fila brasileiro e logo vai começar a fazer o treino para cão de guarda. – Legal – Akin sorri e o tupã vem cheirá-lo e logo pede carinho. — Tia, cadê a caipora? — Miguel me pergunta. – Já já ela aparece. – Acendo a luz e a caipora está sentada em cima da mesa com olhar de julgamento. – Tá aí ela. – Digo, e os meninos vão fazer carinho nela, que logo está ronronando. – Por que caipora? — Ela gosta de ficar no mato! — digo rindo. — Vão logo fazer o que mandei. Os meninos correm para o segundo quarto. — Onde vou dormir? — Akin me pergunta, e olho para ele dando um sorriso. – Comigo. — O quê? – Comigo, aqui em casa só tem dois quartos: um em que os meninos vão dormir e outro que é meu, a não ser que queira dormir com eles. – Tudo bem, durmo contigo. – Imaginei. Vai pro meu quarto, que vou ter que ir aqui no quintal rápido e colocar comida pros dois. – Tudo bem – ele entra no meu quarto e vou para o primeiro na frente de casa. Abro a casa, meu Exu e Pombagira, bato palmas e me ajoelho. — Façam o que vocês acharem melhor! — acendo as velas, que tinha esquecido. Depois vou ao quintal ver se está tudo bem nos outros altares e entro em casa. Caipora vem se esfregar nas minhas pernas, coloco a comida dela e depois do Tupã, que levanta da caminha e vem comer também. Fico olhando-os comer. — Tia, vou pegar água — Miguel pede. – Pega – ele pega água e depois lava o copo, deixando-o no escorredor. – Boa noite, tia! – ele vem, me dá um beijo no rosto e volta para o quarto. Depois que os dois terminam de comer, ficam me olhando. Normalmente eles dormem no quarto, mas hoje não vai rolar. — Vão dormir com os meninos! — mando, e os dois vão para o quarto onde os meninos vão dormir. Logo começo a escutar risos, me levanto e vou pegar gelo. Aquela p**a me deu um tapa bem dado. Coloco no meu rosto o gelo — Dói? — Akin aparece no arco da porta da cozinha. – Um pouco – Akin se aproxima e pega o pano, que está o gelo, e fica segurando. — Posso fazer uma pergunta? – Já fez – Engraçadinha – dei uma risada. – pergunta – Por que a Adriana fez isso? – Porque ela me odeia, ela acha que matei a nossa mãe na mesa do parto e ela me culpa até hoje. — Mas você não teve culpa. – Explica isso pra ela: tudo de r**m que acontece, a culpa é minha. Antes era pior. — Como assim? — respiro fundo. – Antes ela cortava o meu cabelo, me empurrava na piscina para eu morrer afogada. Ela só parou quando comecei a revidar. — Não revidou hoje, por quê? — Fui pega totalmente desprevenida, ainda estava com você na cabeça — ele sorri. — É mesmo? – Sim. – Pensei que tinha ficado chateada. — Pelo quê? – Pelo que Bará fez — Foi um acidente. – Eu sei, você chegou tão séria e me tratou meio estranho. – Eu te falei que estaria com a personalidade — Verdade, você disse. — Acabei rindo. – Quer ficar um pouco lá fora? – Quero, sim. — Vou tomar banho e pegar uma rede. — Vou ficar te aguardando — concordo com ele. — Se quiser comer algo, só abrir a geladeira, e tem pão no armário. AH, sujou, lavou. – Ok! – ele bate continência e vou para o meu quarto tomar um banho. Lavo meu rosto, mesmo não usando maquiagem, sempre faço um skincare noturno. Abro meu guarda-roupas e pego uma rede de casal. Saio do quarto e escuto umas gargalhadas na cozinha. Deixo a rede no sofá e vou para a cozinha. Os três estavam fazendo brigadeiro, tinha suco em jarra e pipoca. Enquanto o Akin estava no fogão com Miguel falando o ponto do brigadeiro, Junior lavava louça; Tupã estava destruindo algo. – Tem que cair em blocos, tio – Miguel diz. — Assim? — Não, continua mexendo — puxo a cadeira devagar e me sento, vendo os três bagunçarem a minha cozinha. A airfryer faz barulho. Quanto tempo fiquei no banheiro? Junior vai ver a airfryer e pega um susto comigo sentada olhando. – Tia! – Miguel e Akin viram para mim. – Bonito, hein? O que vocês estão fazendo? — A gente ficou com fome e pedimos pro tio fazer brigadeiro — Junior diz. – Mentira, tia, a gente pediu pro tio fazer brigadeiro porque é sua comida de conforto – Miguel diz. – Junior queria fazer surpresa, a gente fez brownie também na airfryer porque é mais rápido. – Miguel olha pra panela. – Já tá bom, tio. – Akin desliga o fogo. Fiquei olhando para os três. — É sério que vocês estão fazendo isso para mim? — Deu-me uma vontade enorme de chorar. Akin se aproxima e limpa meu rosto. – Por que está chorando? – olho para ele. — Eu não sei — Junior e Miguel me abraçam. — A senhora sempre faz algo quando estamos tristes, tia. Depois que aconteceu com a senhora e a tia Adriana, queríamos deixar a bem também — Junior diz e abraça os dois. Akin coloca a cabeça no meu ombro. — Obrigada, não estava esperando. — Surpresa, então, tia! — Miguel diz. — A gente vai pro quarto, tio tira o brownie e coloca uma bola de sorvete que tem no congelador, a titia gosta! — Junior puxa o Miguel, e Tupã e Caipora vão atrás dele. Akin faz o que Junior disse. – O brigadeiro vai para a geladeira. – Com a panela e tudo? — Não! — digo rindo. Mexo o brigadeiro e ele vai ficar duro de uma forma não boa. – O que vocês colocaram aqui? – Chocolate, leite condensado e margarina. – Esqueceram do creme de leite. – Os dois não me falaram isso. – Abro o armário e pego um creme de leite. — Abre pra mim? — dou pro Akin, que abre e me entrega. Akin me abraça por trás e fica olhando o que estava fazendo. – Isso lembra o Qumbe. – Seria um doce? – Sim, leva coco ralado. – Aqui a gente chama de beijinho. — Mas nosso leva farinha de trigo — olho para ele. — Sério? – Sim, gosto de comer ele – assopro um pouco o brigadeiro. – Prova – ele come um pouco, fico olhando para os lábios grossos de Akin e me passa uma maldade na cabeça. – Gostei, não fica tão doce. – Depende de como é feito, mas normalmente gosto de fazer com chocolate 100% cacau. – Fica muito bom – ele diz, sorrindo. Coloco o brigadeiro em prato, cubro-o com papel filme e coloco na geladeira. Akin tira o brownie da airfryer e coloca o sorvete que o Junior disse. Fomos para o lado de fora, armamos a rede e deitamos um de frente para o outro com pirex, com o brownie e o sorvete. Hoje vai ser uma boa noite!
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