pedido

1437 Words
Carla Chegamos em casa e parece que o meu corpo está todo quebrado. Às vezes acontece isso, mas hoje parece pior. Vou praticamente me arrastando para o beijo social. Quero logo tomar banho para ir dormir. Entro no banheiro e deixo a água cair pelo corpo. — Deixei uma roupa em cima da cama, vou colocar comida para a caipora e para o Tupã. Quer comer algo? — Akin fala da porta. Fico alguns segundos olhando para o nada, ainda assimilando o que ele disse. – Carla? — Não quero comer. – Tá bom – acabei rindo, termino o meu banho e pego uma toalha dobrada que sempre deixo no banheiro do corredor. Me enrolo e vou para o meu quarto e vejo que tem uma camisa larga branca com que sempre durmo. Cocei a testa confusa. Como ele sabia? – Come algo antes de dormir! – Akin tinha cortado algumas frutas para eu comer. Meu queixo cai quando vejo isso. — Sério? — Dormir com estômago vazio não é bom — fico olhando para o Akin — e desculpa, abri o seu celular e peguei o número da Arlene. Não sabia qual era a roupa que era para você. Ela me disse e disse para fazer algo para comer, mesmo não querendo, e ela disse algo que não entendi. — O quê? – que não era para nós fazermos nada hoje. – Sinto meu rosto esquentar. Vou te dar um cascudo, Arlene. — Não passa nada pela sua cabeça? — Não — deixo a toalha cair de propósito e o queixo dele cai. — Nossa! — Ele deixa o potinho com as frutas de lado e vem se aproximando. Pego a camisa e me visto rápido. – Hoje não. — Tu és perfeita. – Sou gorda. – E daí? Eu vou amar cada segundo te tocando – o olhar de desejo dele me fez arrepiar – preciso de um banho frio – Ele vai para o banheiro e acabei rindo. Como as frutas e depois vou para a cozinha, lavo o pote e deixo no escorredor. Vejo se a casa está toda fechada; o Caipora está no sofá e o Tupã está na caminha dele. Volto para o quarto, coloco a minha touca de cetim e passo um pouco de perfume de alfazema. Ligo o ar-condicionado e me deito. Akin sai do banheiro e sorri quando o vejo passando para o outro lado da cama. Ele me abraça por trás e beija o meu pescoço. Me aninho mais nele e começo a rir igual a uma doida. – Que foi? — Tá gostoso de dormir assim — ele dá um beijo no meu pescoço e a gente se ajeita para dormir. ******** Abro os olhos e o Akin ainda está deitado do meu lado, mas ele está de costas. Me viro e dou um beijo nas costas dele. Logo ele vira para mim e passa o nariz dele no meu. Ficamos em um chamego tão gostoso. – Quer o quê de café da manhã? – Akin me pergunta, e na mente só veio a palavra "você". Fico olhando o Akin e ele fica passando as pontas dos dedos no meu rosto. — Um bolo seria bom! — Akin estava sorrindo de leve e, do nada, o rosto dele muda e ele abre um sorriso enorme. — Eu vou comprar, só vou demorar um pouco, tá? – Por que vai demorar? – Vou em casa buscar mais roupa para passar o dia com você. — Ah, sim, então vou voltar a dormir. — Melhor ainda — ele se levanta e vai para o banheiro. "Surpresa, titia!" Escuto a voz da conchinha. Surpresa? Surpresa de quê? Akin sai do banheiro e vem me dar um beijo. — Vou pegar o teu carro, tá? — Tá — ele me dá um beijo e sai do quarto, e vejo a conchinha indo atrás dele. Essa menina vai aprontar, já estou até vendo. Volto a me deitar e fecho os olhos. ********** Acordo com um barulho e me levanto. Olho a casa inteira e está tudo em ordem. Vou para o lado de fora e está tudo bem. Dei de ombros e entrei. Achei lavar as minhas roupas do terreiro, mas antes fui escovar os dentes e fazer o meu xixi de lei. Coloco o sabão e o bicarbonato na água e deixo um pouco de molho; entro e vou fazer o café. "Tia fica bonita." Conchinha chega berrando na minha cabeça. – Como assim, conchinha? "Flor, bambolê, oferenda, titia." Acabei dando uma gargalhada. Se Akin quiser fazer alguma surpresa para mim, primeiro ele tem que combinar com a conchinha. – Ele vai demorar? "Não, titia." Do sorriso, vou até um pote de doce, pego alguns e vou deixar nos pés da conchinha. — Obrigada, minha criança — entro e vou tomar um belo banho. Lavo os cabelos, hidrato rápido. Depois saio e passo um óleo corporal enfeitiçado. Pego um vestido estilo blusão azul-claro, coloco um par de brincos e passo um gloss. Vou à penteadeira para pegar os meus anéis. "Sem bambolê, titia." Deixo os anéis lá mesmo. "Tá linda, titia, cheirosa." Passo um pouco de perfume e saio do quarto. Assim que chego à sala, Akin chega com um buquê de rosas e três sacos. Meu queixo cai quando vejo o buquê. – Akin? – ele fica me olhando. — Você está linda! — dou um sorriso. Ele deixa os sacos no sofá e se aproxima, ajoelhando-se. Meus olhos começam a encher de lágrimas. — Carla, eu pensei em 10 mil coisas para falar, mas não vieram palavras para falar o que esses três dias significaram para mim, sei que parece precipitado demais, mas eu só vejo o meu futuro com você. — Ele tira uma caixinha do bolso e o meu coração vem na garganta. Ele abre e um anel com uma pedra azul. — Acho que devia ter te perguntado, mas eu acho que combina muito com você. — "Eu disse para ele comparar, titia", mordo os lábios para não rir da vozinha de indignação da conchinha. — Aceita namorar comigo? — Óbvio que aceito, Akin! — ele sorri, levanta-se, entrega-me o buquê e depois coloca a aliança no meu dedo anelar da mão esquerda. – Pensei que namoro Akin. – E o que tem? – Essa é mão de noivado. – Mas a gente vai casar, porque iria te pedir para ficarmos juntos se estava pensando em separar? – Ele tinha um ponto. Akin segura o meu rosto com as duas mãos. – Daqui para frente vai ser até que a morte nos separe. – Dou um sorriso e o coração vem na garganta de novo, disparado. – Ngiyakuthanda. – Franzi a testa. – Que? — Eu te amo! — Akin acha graça, acho que minha cara de surpresa foi demais para ele. — Falei em Zulu. — Mesmo ele falando português de Portugal e eu achando o sotaque um charme, ainda não tinha visto ele falar em Zulu. – Me ensina? — O quê? – Zulu. – Porque quer aprender? — Porque é seu idioma, faz parte de você e, como você disse, só a morte pode nos separar. Vão vim os filhos, e eles vão ter que saber a parte dos dois — ele sorri. – Filhos? – ele sorri. Abraço-o pela cintura e fico olhando para ele, sorrindo. Akin ainda está segurando o meu rosto. – Sim, uma garotinha com esse tom de pele lindo, com cachinhos e... – E, como a cor dos seus olhos, vou ficar louco – ele diz, sorrindo. – Por quê? – Meu coração já está fora do peito por causa de você. Se tiver uma miniatura de você – ele sorri –, não quero nem pensar. Acabei rindo. – Já pensei até no nome. — Sério? – Sim. — Qual seria o nome da nossa filha hipotética? — ele sorri. – Adenike-Ife – meu primeiro nome, meu coração dispara, ele lembra? – gosto do significado. – E qual é? – E como se fosse A coroa, tem carinho e amor – me dá vontade de chorar. Eu que tinha falado para ele o significado do meu nome quando ele disse que era estranho. — Você lembra? — ele coloca a cabeça de lado, confuso. – Do quê? – ele não lembrava. – Nada, prefiro outro nome. – Qual? – Potira, que significa a flor mais bela. – Pode ser os dois, vai ficar perfeita na nossa menina. – Dei um sorriso, com os olhos brilhando do Akin, para uma criança hipotética. Meu guardião é um máximo.
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