O Jantar

1441 Words
Akin — O que foi que aconteceu, Akin? — Bakari me pergunta. — Quem era aquela mulher? – Carla Leal, o Bara rasgou a blusa dela. — Nossa, e agora? – Agora ela levou a minha camisa. – Espero que isso não nos traga problemas. — Não vai, ela viu que foi um acidente. – Espero mesmo! – Bakari sai da sala e seguro o Bará pelas duas mãos e olho para ele, que esconde a carinha com as patas. — O que eu faço contigo? — Mas, só de lembrar a textura macia e firme que senti por alguns segundos, acabei rindo. Seguro o Bara com um braço e faço carinho nele. Leve-o para a cozinha e alimente aquele monstrinho. ******* Termino de me arrumar para o jantar na casa de Carlos. Bakari iria comigo; Dayo ficaria em casa para ficar com o Kito e o Bará. Só o Kito para cansar aquele monstrinho; quero ver como vai ser na segunda. Desço e o Bakari já estava pronto, me esperando. – Já ia te chamar, o motorista do Carlos já chegou. – Ótimo, vamos! – pego a sacola de presente que tinha o vinho e saímos. O carro estava parando na porta. O motorista nos deseja boa noite e desejamos para ele também. Fomos em silêncio o caminho todo; fiquei meio frustrado, já que esqueci de pedir o número da Carla. Podia saber se ela já estava indo. Fui muito i****a! Chegamos a outro condomínio e logo estávamos na casa do Carlos. Ele nos recepciona na porta. — Trouxe pra você! — entrego com a sacola. — Obrigado, Akin, não precisava! — ele dá um sorriso educado e abre. — Eu amo esse vinho, vamos logo abri-lo para abrir o apetite para o jantar! — dou um sorriso educado e logo pede para a empregada trazer taças de vinho. Carlos vai me apresentando para todos no local. Conheço a Milena, a esposa dele, a irmã dele, a Adriana, os dois filhos crianças e os acionistas. A única que não vejo é a Carla. Toca a campainha e ele vai abrir, e chega o senhor Fernando. Cumprimento-o. Nada dela. Será que ela ficou chateada? Mas foi um acidente. O vinho é servido e sentamos na sala de estar; começa uma conversa na qual nem estava prestando atenção. A campainha toca novamente e ela chega. Ela estava com vestido esmeralda, com cabelo preso, com dois cachos na lateral do rosto. Levanto-me; primeiro ela fala com o pai e pede a bênção, e depois dá um beijo em cada sobrinho. Depois dar oi para todos e vem até mim. — Boa noite, senhor Akin. É um prazer revê-lo — ela estende a mão e fala séria. Fiquei confuso. Onde está aquela mulher cheia de energia que tinha visto mais cedo? — O prazer é todo meu, senhorita. — Ela dá um sorriso educado e senta um pouco afastada. Vejo quando uma empregada oferece o vinho para ela, e ela n**a com a cabeça e fala algo no ouvido da empregada, que concorda e sai. — Não vai nos acompanhar no vinho, Carla? — um dos acionistas pergunta. — Não, Evandro, estou dirigindo, prefiro evitar. — Pelo menos agora ela tem consciência de que pode matar alguém! — Adriana diz, tomando um gole de vinho. Carla fica mais séria e respira fundo. A empregada traz suco e Carla agradece. Carlos tenta voltar à conversa para dissipar o clima estranho que ficou. Logo fomos informados de que o jantar já estava servido e fomos para a sala de jantar. Queria me sentar no lado da Carla, mas me colocaram longe dela e a Adriana ficou sentada do meu lado. Via a cara de tédio da Carla e, sinceramente, nem estava prestando atenção na conversa que estava tendo. Adriana fala algo e toca no meu braço, e olho para Carla, que faz uma cara, e os olhos claros dela ficam escuros. — Não sei dizer! — A única coisa que digo é tirar o meu braço do toque da Adriana. — Com licença! — Carla diz e sai da mesa. Tive o impulso de me levantar e ir atrás dela, mas esperei até o jantar terminar. Não faltava muito. — O jantar estava delicioso. Onde seria o lavabo? — pergunto ao Carlos, e ele me indica o caminho que a Carla foi. Levanto-me e vou nessa direção; vejo uma porta entreaberta e barulho de tiros. – Headshot nesses zumbis – escuto a voz da Carla e olho para dentro. Ela está comemorando junto com os filhos do Carlos. Carla olha para a porta e me vê. — Vou fazer coisas chatas de adultos, depois a gente joga. — Amanhã a gente pode ir para sua casa, tia? — Se o pai de vocês não ficar enchendo o saco, pode ir sim. Vão logo de manhã que a gente toma café da manhã. — Quero tapioca, tia — um dos meninos fala. — Lá vou eu acordar cedo para ir à feira comprar coco seco. — Os dois meninos acham graça. — A gente não pode ir logo hoje, tia? — o outro menino pergunta. — Vão arrumar as coisas de vocês, vou pedir para a mãe de vocês! — os dois meninos comemoraram e ela ficou saltitando. Eles passaram correndo perto de mim. Ela se aproxima e fica me olhando. – Parece uma criança hiperativa, sabia? — Segunda vez que me fala isso — ela coloca a mão no meu peito e, por um impulso, abaixo a cabeça. — m*l sabe o que essa criança hiperativa quer fazer com você — Carla diz no ouvido e sinto os lábios dela irem descendo pelo meu rosto até próximo da minha boca e passarem de leve. Carla levanta o olhar para mim e sinto todo meu corpo esquentar. Ela sorrir e se afastar, respiro fundo e acabei rindo. Precisei ir no banheiro passar um agua na nuca. Quando volto, parece que o jantar se tornou um campo de guerra: os dois filhos do Carlos chorando, abraçados à Carla, e ela segurando o rosto, e a Adriana falando algumas coisas que nem estava entendendo. — Akin, fale para todos que a Carla estava se oferecendo para ti — Adriana diz, apontando para mim. — Primeiramente, abaixa essa mão — digo, e a Adriana abaixa. — Segundo, em nenhum momento ela fez isso. – Eu vi o que ela fez na frente da sala de jogos dos meninos. – A tia Carla estava jogando com a gente; ela não fez... – Miguel, cala a boca. — Não fala assim com ele, Adriana, para de ser louca! — Carla diz, e o rosto dela está super vermelho. Aproximo-me da Carla e toco no rosto dela, que está supervermelho. Olho pra Adriana – Está louca em bater nela? — Ela mereceu, ela não pode envergonhar a gente assim — Assim como? Sendo ela? E outra, se ela tivesse me beijando, eu teria gostado, até porque eu estou interessado nela — começou um burburinho. — Bakari, vamos, não vai ter mais fusão, nem uma com a Leal. Se os membros da família tratam uns aos outros assim, como seria nos negócios? — viro-me para Carla, que está com a boca aberta. — Você ainda vai levá-los? — Não deu tempo de pedir. — Os dois meninos correm para a mãe, pedindo para ir para a casa da Carla. — Vamos nos acalmar, foi um m*l-entendido — Carlos diz, chegando perto de mim. — Não tem m*l-entendido, nem um Carlos. Eu entendi direito — me viro para Carla. — Poderia levar a gente? Ainda não alugamos um carro. — Po... Posso sim – não demora, os dois meninos aparecem com mochilas e se agarram na Carla. — Então vamos, agradeço o jantar! — Saímos da casa do Carlos e fomos para o carro da Carla, e ficou uma gritaria dentro da casa. Carla entra na parte do motorista e encosta a cabeça no volante. Fico na frente com ela, Bakari e os dois meninos atrás. – Carla? – toco no ombro dela. – Não sei se vou conseguir dirigir. — Vem pra cá, deixa que eu dirijo, só vai me indicando o caminho — ela me olha e concorda com a cabeça. Trocamos de lugar. Fui primeiro para casa deixar o Bakari e pegar roupas para mim; não iria deixá-la sozinha. — Por que essa mochila? — ela me pergunta assim que a coloco no colo dela. – Minhas roupas, não vou deixar sozinha assim. — Tá falando sério? — ela pergunta, sorrindo. – Tô sim, agora me indica pra onde tenho que ir.
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