Akin
— O que foi que aconteceu, Akin? — Bakari me pergunta. — Quem era aquela mulher?
– Carla Leal, o Bara rasgou a blusa dela.
— Nossa, e agora?
– Agora ela levou a minha camisa.
– Espero que isso não nos traga problemas.
— Não vai, ela viu que foi um acidente.
– Espero mesmo! – Bakari sai da sala e seguro o Bará pelas duas mãos e olho para ele, que esconde a carinha com as patas.
— O que eu faço contigo? — Mas, só de lembrar a textura macia e firme que senti por alguns segundos, acabei rindo.
Seguro o Bara com um braço e faço carinho nele.
Leve-o para a cozinha e alimente aquele monstrinho.
*******
Termino de me arrumar para o jantar na casa de Carlos. Bakari iria comigo; Dayo ficaria em casa para ficar com o Kito e o Bará.
Só o Kito para cansar aquele monstrinho; quero ver como vai ser na segunda.
Desço e o Bakari já estava pronto, me esperando.
– Já ia te chamar, o motorista do Carlos já chegou.
– Ótimo, vamos! – pego a sacola de presente que tinha o vinho e saímos. O carro estava parando na porta.
O motorista nos deseja boa noite e desejamos para ele também.
Fomos em silêncio o caminho todo; fiquei meio frustrado, já que esqueci de pedir o número da Carla. Podia saber se ela já estava indo.
Fui muito i****a!
Chegamos a outro condomínio e logo estávamos na casa do Carlos. Ele nos recepciona na porta.
— Trouxe pra você! — entrego com a sacola.
— Obrigado, Akin, não precisava! — ele dá um sorriso educado e abre. — Eu amo esse vinho, vamos logo abri-lo para abrir o apetite para o jantar! — dou um sorriso educado e logo pede para a empregada trazer taças de vinho.
Carlos vai me apresentando para todos no local.
Conheço a Milena, a esposa dele, a irmã dele, a Adriana, os dois filhos crianças e os acionistas.
A única que não vejo é a Carla. Toca a campainha e ele vai abrir, e chega o senhor Fernando. Cumprimento-o.
Nada dela. Será que ela ficou chateada?
Mas foi um acidente.
O vinho é servido e sentamos na sala de estar; começa uma conversa na qual nem estava prestando atenção.
A campainha toca novamente e ela chega. Ela estava com vestido esmeralda, com cabelo preso, com dois cachos na lateral do rosto.
Levanto-me; primeiro ela fala com o pai e pede a bênção, e depois dá um beijo em cada sobrinho.
Depois dar oi para todos e vem até mim.
— Boa noite, senhor Akin. É um prazer revê-lo — ela estende a mão e fala séria. Fiquei confuso. Onde está aquela mulher cheia de energia que tinha visto mais cedo?
— O prazer é todo meu, senhorita. — Ela dá um sorriso educado e senta um pouco afastada. Vejo quando uma empregada oferece o vinho para ela, e ela n**a com a cabeça e fala algo no ouvido da empregada, que concorda e sai.
— Não vai nos acompanhar no vinho, Carla? — um dos acionistas pergunta.
— Não, Evandro, estou dirigindo, prefiro evitar.
— Pelo menos agora ela tem consciência de que pode matar alguém! — Adriana diz, tomando um gole de vinho. Carla fica mais séria e respira fundo.
A empregada traz suco e Carla agradece.
Carlos tenta voltar à conversa para dissipar o clima estranho que ficou.
Logo fomos informados de que o jantar já estava servido e fomos para a sala de jantar.
Queria me sentar no lado da Carla, mas me colocaram longe dela e a Adriana ficou sentada do meu lado.
Via a cara de tédio da Carla e, sinceramente, nem estava prestando atenção na conversa que estava tendo.
Adriana fala algo e toca no meu braço, e olho para Carla, que faz uma cara, e os olhos claros dela ficam escuros.
— Não sei dizer! — A única coisa que digo é tirar o meu braço do toque da Adriana.
— Com licença! — Carla diz e sai da mesa. Tive o impulso de me levantar e ir atrás dela, mas esperei até o jantar terminar.
Não faltava muito.
— O jantar estava delicioso. Onde seria o lavabo? — pergunto ao Carlos, e ele me indica o caminho que a Carla foi.
Levanto-me e vou nessa direção; vejo uma porta entreaberta e barulho de tiros.
– Headshot nesses zumbis – escuto a voz da Carla e olho para dentro.
Ela está comemorando junto com os filhos do Carlos.
Carla olha para a porta e me vê.
— Vou fazer coisas chatas de adultos, depois a gente joga.
— Amanhã a gente pode ir para sua casa, tia?
— Se o pai de vocês não ficar enchendo o saco, pode ir sim. Vão logo de manhã que a gente toma café da manhã.
— Quero tapioca, tia — um dos meninos fala.
— Lá vou eu acordar cedo para ir à feira comprar coco seco. — Os dois meninos acham graça.
— A gente não pode ir logo hoje, tia? — o outro menino pergunta.
— Vão arrumar as coisas de vocês, vou pedir para a mãe de vocês! — os dois meninos comemoraram e ela ficou saltitando. Eles passaram correndo perto de mim.
Ela se aproxima e fica me olhando.
– Parece uma criança hiperativa, sabia?
— Segunda vez que me fala isso — ela coloca a mão no meu peito e, por um impulso, abaixo a cabeça. — m*l sabe o que essa criança hiperativa quer fazer com você — Carla diz no ouvido e sinto os lábios dela irem descendo pelo meu rosto até próximo da minha boca e passarem de leve.
Carla levanta o olhar para mim e sinto todo meu corpo esquentar.
Ela sorrir e se afastar, respiro fundo e acabei rindo.
Precisei ir no banheiro passar um agua na nuca.
Quando volto, parece que o jantar se tornou um campo de guerra: os dois filhos do Carlos chorando, abraçados à Carla, e ela segurando o rosto, e a Adriana falando algumas coisas que nem estava entendendo.
— Akin, fale para todos que a Carla estava se oferecendo para ti — Adriana diz, apontando para mim.
— Primeiramente, abaixa essa mão — digo, e a Adriana abaixa. — Segundo, em nenhum momento ela fez isso.
– Eu vi o que ela fez na frente da sala de jogos dos meninos.
– A tia Carla estava jogando com a gente; ela não fez...
– Miguel, cala a boca.
— Não fala assim com ele, Adriana, para de ser louca! — Carla diz, e o rosto dela está super vermelho.
Aproximo-me da Carla e toco no rosto dela, que está supervermelho.
Olho pra Adriana
– Está louca em bater nela?
— Ela mereceu, ela não pode envergonhar a gente assim
— Assim como? Sendo ela? E outra, se ela tivesse me beijando, eu teria gostado, até porque eu estou interessado nela — começou um burburinho. — Bakari, vamos, não vai ter mais fusão, nem uma com a Leal. Se os membros da família tratam uns aos outros assim, como seria nos negócios? — viro-me para Carla, que está com a boca aberta. — Você ainda vai levá-los?
— Não deu tempo de pedir. — Os dois meninos correm para a mãe, pedindo para ir para a casa da Carla.
— Vamos nos acalmar, foi um m*l-entendido — Carlos diz, chegando perto de mim.
— Não tem m*l-entendido, nem um Carlos. Eu entendi direito — me viro para Carla. — Poderia levar a gente? Ainda não alugamos um carro.
— Po... Posso sim – não demora, os dois meninos aparecem com mochilas e se agarram na Carla.
— Então vamos, agradeço o jantar! — Saímos da casa do Carlos e fomos para o carro da Carla, e ficou uma gritaria dentro da casa.
Carla entra na parte do motorista e encosta a cabeça no volante. Fico na frente com ela, Bakari e os dois meninos atrás.
– Carla? – toco no ombro dela.
– Não sei se vou conseguir dirigir.
— Vem pra cá, deixa que eu dirijo, só vai me indicando o caminho — ela me olha e concorda com a cabeça.
Trocamos de lugar.
Fui primeiro para casa deixar o Bakari e pegar roupas para mim; não iria deixá-la sozinha.
— Por que essa mochila? — ela me pergunta assim que a coloco no colo dela.
– Minhas roupas, não vou deixar sozinha assim.
— Tá falando sério? — ela pergunta, sorrindo.
– Tô sim, agora me indica pra onde tenho que ir.