conhecendo o Bará

1487 Words
Carla Fico olhando aquele negrão lindo na minha frente. Akin é muito gato. — Tem quanto de altura? — pergunto para ele. – 1.95 – Legal, será que esses brinquedos dão para seu texugo? — Espero que sim, ele já destruiu vários. — Acabei rindo do jeito que ele fala. – Então vamos levar para ele e a comida dele? – Já comprei, ele falta comer a gente. – Ele come de tudo também. — Sim! — Fomos levar os brinquedos que o Akin me deixou escolher para Letícia passar no caixa. – Prontinho, Le. – Pego os brinquedos dos braços do Akin e coloco para ela passar. Já estava com o celular na mão para passar o Pix. – Tá aqui o rato, a areia de gato e a ração para filho e para gato. — Ótimo, no Pix tudo. — Ela passa o valor e, para minha surpresa, o Akin já está com as notas na frente dela. — Pronto, pode embalar tudo — Akin diz. — Eu ia pagar! — ele só me olha e dá um sorriso de lado. — Me ajudar a escolher o vinho para hoje à noite! — Franzi a testa quando ele diz e olho para Le, que fica olhando para Akin e para mim com olhos arregalados. — Tá! — a única coisa que consigo falar. – Mando deixar no teu carro? – Sim. – Tá, vou mandar o Lucas deixar na carroceria, como sempre. – Valeu – dou o sorriso e ela me entrega a nota. A única coisa que levamos seriam os brinquedos do texugo do Akin. Saio da loja da Le e vamos para uma loja de vinho. – Qual vinho gosta? — Não sei, seria para o jantar na casa do seu irmão. — Ah, é por isso que vai ter esse jantar hoje. — Você vai? — Não. – Por quê? – Uma longa história– Vejo um malbec que o Carlos ama– O Carlos gosta desse e eu acho que combina com o jantar. — Vai pro jantar também? Vou ficar mais à vontade com você lá — fico olhando pro Akin. Se ele souber que não me dou bem com os meus irmãos justamente por eles me culparem por algo que nem foi minha culpa, mas também não quero deixá-lo só no meio daquelas cobras. — Eu vou por você! — ele sorriu. – Prometo te recompensar. – Só ler os meus relatórios, por favor. — Vou ler sim, qualquer coisa te pergunto — disse sorrindo. Espero que ele leia mesmo e, p***a, essa fusão não aconteça. Onde querem fazer a mineração é área ambiental de preservação; vai dar muita merda se isso for para frente. – Esse eu pago – digo, pegando a garrafa de vinho. — Se estiver comigo, não paga nada! — ele pega a garrafa, vai para o caixa e pede para embalar para presente. — Quer tomar algo? – Milk-shake. – Então vamos tomar – dou um sorriso e vamos para a praça de alimentação. — Vamos tomar um de 1 litro? — pergunto, sorrindo para ele, que ri também. – Vamos! – chegamos onde vende – O que tu gostas? — Escolhe, não sou de tomar isso! — olho para o corpo dele e acabo rindo. – Dá pra perceber – ele levanta uma sobrancelha e ri. Peço tudo que tenho direito e vamos para uma mesa e tomo uma boa quantidade. — Toma — ofereço para ele tomar um pouco. – Isso bem gelado. – Isso é sorvete, é óbvio que seria gelado. — Você parece uma criança hiperativa, sabia? – Estou aproveitando, mais tarde não vou ser – Por quê? — Vou ter que ser uma coisa que não sou. — Por quê? — respiro fundo. — Você está vendo a versão de fábrica e lá vai ver a versão fabricada. – Por quê? – Tá bom de tantos porquês. – Só quero te conhecer. – É melhor nem tentar, nem eu me conheço direito, sabe como é aquariana de janeiro – ele ri. — Não, eu não sei. – Ai fica difícil – acabo gargalhando. — Seu sorriso é lindo, essas covinhas são um charme — sinto meu rosto esquentar — e vermelha fica uma gracinha. — Akin, quem ouvir você falando isso vai pensar que você quer me conquistar. — Ele dá um sorriso de lado. — E quem disse que não estou? — ele pega o canudo e toma mais um gole de milk-shake. Fico sem saber o que dizer; ele fica me olhando e me dá o canudo. Pego e tomo um pouco. Akin coloca a cabeça de lado e fica me olhando. – Por que ficou sem palavras? – Fiquei com vergonha. – Por quê? – Não sou acostumada. – Não é acostumada a quê? – Alguém dar em cima de mim tão na cara dura. — Não poderia fazer isso? "Deixa ele se sentir à vontade, logo ele vai lembrar." Escuto a voz da minha pombagira na cabeça e sinto um frio na espinha. Respiro fundo e fecho os olhos. Quando abro, vejo ele abrir a boca e ficar sério. — O que foi? – Parece que já vi você fazendo isso antes. "Ele já viu, tudo está fazendo ele lembrar." – Bom, fiz muito isso na reunião em Joanesburgo. – Não lembrava de você. — E ainda está dando em cima de mim. — Tomo um gole grande do milk-shake. – Te quero pra mim, Carla – acabo me engasgando e começo a tossir. – Desculpa. – Ele dá uns tapas nas minhas costas. — p***a, quer tirar meus pulmões? — limpo a boca. – Desculpa. – Tá bom, me ajuda a terminar logo. – Depois disso, ficamos em silêncio tomando o milk-shake. Depois que terminamos, fomos ao estacionamento e, como o condomínio em que ele estava ficava bem na frente do shopping, só fiz atravessar a avenida para a portaria. Ele faz o reconhecimento facial e entramos. Ele me guia até a casa em que ele está e entramos. Um menininho corre pela casa com uma bola de pelo preto e branco atrás dele. Quando vi, fiquei maravilhada. – Bará! – Akin chama e olho para ele. – Como ele se chama? — Bará — Akin se senta no chão e a bolinha de pelo vem correndo até ele e se deita em cima das pernas dele. — Nossa, que lindo — me abaixo e fico olhando para aquela bolinha. – Ele conquista com essa cara – Akin faz carinho nele, que logo vira de barriga para cima. — Posso fazer carinho nele? — Acho que sim — Akin pega minha mão e parece que nós dois levamos um choque com o toque, um choque familiar que, na hora, os dois recuaram. Mas a gente já tinha se tocado e não tinha acontecido isso. A gente ficou se olhando, ele tentou de novo e dessa vez não teve. Ficamos nos olhando, mas ele colocou a minha mão em cima da barriga do Bará. Bará vira rápido e fica me olhando, e logo ele vem pra cima de mim, e fico parada. Ele sobe em mim e fica querendo me lamber. Para meu desespero, ele rasga minha blusa e sutiã com as garras afiadas. Solto um grito, seguro ele na frente para não ficar exposta. Aparecem mais dois homens, e olho para o Akin, que se levanta, tirando a camisa dele e ficando na minha frente, me abraçando. O Bará ficou entre nós dois. — Vão para lá. – O que aconteceu? — Vão para lá que já explico. — Os homens saem. — Me da ele e veste minha camisa. – Se tirar ele, os meus seios... – Vou fechar os olhos, pego ele e viste a minha blusa, prometo não ver nada. — Tá! — Akin fecha os olhos e passa a mão para pegar o Bara. Sinto a ponta dos dedos dele em um dos meus s***s. — Desculpa — pego a camisa dele e me visto rápido. — Pronto — digo, e ele abre os olhos. – Desculpa mesmo, não era minha intenção. – Percebi – olho para o corpo do Akin. Meu Deus, que homem é esse? — Por que está vermelha? — virou o rosto. — Você está me devendo uma blusa de cetim nova — ele sorri. – Pode mandar a conta. — Vou mandar mesmo — ele sorriu. — Já vi essa fofura destruidora de blusas. Vou para casa, até mais tarde. — Foi um prazer te rever, Carla. Vou adorar te ver mais tarde — diz, sorri e abre a porta. Vou para o meu carro e dou tchau para ele. Dou partida no carro e paro na portaria para esperar o portão abrir; sinto o cheiro dele. O mesmo cheiro que senti meses antes de ir para Joanesburgo. É ele mesmo. É o meu guardião!!
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