— Chefe? Chefe? — abro os olhos devagar e tento focar a pessoa que está na minha frente. — O senhor está vivo, que bom — Dayo diz.
— O que houve? — pergunto, esfregando os olhos.
– Já é quase 5 horas da tarde e nada do senhor aparecer; já estava preocupado.
– 5 horas da tarde? – me sento na cama.
— Sim, pensei que aquela velha tinha matado o senhor, estava preocupado e pedi a chave extra do hotel para ver como o senhor estava. — Dormi mais de 24 horas, voltamos para o hotel às duas horas da tarde e, assim que chegamos, dormi. — Como o senhor está se sentindo?
– Muito bem! – digo, dando um sorriso. Realmente estava bem.
Estava me sentindo super descansado, sentia-me revigorado.
– Que bom, deu certo.
– E como deu certo – digo sorrindo.
– O senhor ainda vai?
– Vou sim.
– Então vou pedir um serviço de quarto para o senhor.
— Não precisa, vou lavar o rosto e descer.
– Ok, vou devolver a chave para a recepção.
— Tá bom! — Dayo sai e vou pro banheiro, aproveito e tomo um banho e faço tudo que preciso.
Coloco uma roupa e saio.
Vem um cheiro de um perfume; olho para os lados e não tinha ninguém no corredor.
Balanço a cabeça e vou ao elevador.
Saio na recepção e vejo o Dayo andando de um lado para o outro com telefone no ouvido. Quando ele me vê, desliga.
– O senhor vai comer fora ou aqui no restaurante do hotel?
— No restaurante, o que houve? — ele respira fundo.
– Tava falando com minha mãe.
— Me conta o que houve enquanto como, estou morrendo de fome — ele concordou e vamos para o restaurante do hotel.
Fizemos o pedido e depois fico olhando para ele.
— Ela não vai ficar com meu filho enquanto vou para o Brasil com senhor . — Dayo iria comigo e com o Bakari para o Brasil, e fiquei surpreso; não sabia que Dayo tinha filho.
– Por quê?
– Ela ficaria com ele se fosse um mês, mas não 6 meses.
– Então o leva.
– Senhor? – ele me olha surpreso.
– Leva-o; pelo menos ele vai conhecer uma nova cultura e pode ficar próximo de você. unico problema você vai ter que resolver é com a mãe dele.
– A mãe dele é uma perdida que, depois que teve o menino, deixou comigo e sumiu no mundo.
– Então não tem problema, quantos anos tem?
– 5 anos.
– Melhor, aprende as coisas rápido. A casa que vamos alugar é em um condomínio. É, pelo que vimos, é grande, então dá para ter uma criança lá.
— É sério?
– Sim, é. Como vamos em um jato particular, dá pra ele ir com a gente.
— Obrigado, senhor. Eu não sei nem como agradecer.
— Você é um bom funcionário, não me custa nada fazer isso.
— Obrigado mesmo, fico até mais calmo.
– Tudo bem! – A nossa comida chega, comemos em silêncio.
Depois de tudo, pegamos o carro e chegamos uma hora antes do combinado, já que ela sabe de tudo, ela iria saber que iria antes do combinado.
Assim que batemos na porta, ela olha para a gente e sorri.
— Dormiu bem?
– Sim, dormi.
– Que bom, agora entre, já está tudo preparado.
— Mas não era só às 7 da noite? — Dayo pergunta. Ela me olha com cara de deboche.
— Já sabia que iriam vir antes — acabei bufando. Entramos e ela me leva para a parte de trás, me entregando uma calça branca. — Troca, que já deixei tudo pronto.
– Cadê o bicho?
— Vou pegá-lo, os dois vão fazer o ritual juntos. — Franzi o rosto, mas fui me trocar.
Assim que saio do pequeno banheiro que tinha do lado de fora, aquela bruxa vem com pano com algo enrolado; ela me faz sentar em um banquinho.
– Ele ainda é pequeno, perdeu os pais de uma forma que ainda não sei, até porque eles são bem resistentes – ela coloca o pano nos meus braços. – Pensei em colocar dois animais para você, como ela tem, mas em todos os jogos que fiz para você, só deu um e sendo ele! – ela apontou para o pano e abri, arregalei os olhos quando vi aquela miniatura de texugo-do-mel.
– Um texugo?
– Ele é igual a você.
– Não é, não.
– E sim. Ele é m*l-humorado e um incômodo – levanto uma sobrancelha –, mas também é destemido, corajoso, bate de frente com os problemas.
Fiquei olhando para o pequeno nos meus braços.
Ele abre aqueles olhos negros e fica me olhando.
– Ele está calmo.
– Ele está encantando; se não fosse por isso, ele já tinha mordido o seu braço – continuo olhando para aquele pequeno. Ele vai se levantando, coloca as patinhas no meu peito e depois lambe o meu maxilar e depois volta a se aninhar nos meus braços. – Vamos logo começar.
Ela pega alguns galhos e começa a passar pelo meu corpo; meus olhos ficam pesados e acabo fechando-os.
Vejo uma mulher de véu azul com algo dourado nas pontas. O rosto dela está coberto; só consigo ver os olhos dela, que são castanho claro, claros como mel.
Ela se levanta de onde está e vem até mim, estendendo a mão.
– ACORDA!!!
Abro os olhos e vejo aquela bruxa.
– Ótimo, já acabou.
– Já? Você disse que iria demorar.
— Já são 3 da manhã, chefe. — olho para o Dayo, surpreso.
– Mas acabei de sentar aqui.
— Você estava em transe, mas ocorreu tudo bem. Lave as mãos com cuidado e passe o óleo que dei pro seu funcionário! — olho para Karabá e depois olho para minha mão, e tem um corte razoavelmente profundo. O pequeno ainda está nos meus braços e na patinha dele também tem um corte.
– Machucou ele?
— Foi preciso, mas ele vai ficar bem, como você também! — me levanto, deixando o pequeno no banquinho em que estava sentado, e fui me trocar pelas minhas roupas limpas. Senti um incômodo na costa e olhei no espelho.
Vejo uns cortes em cada lado das minhas costas, olho nos braços e também tem, e o meu também.
Conto os cortes e vejo que há 7 de cada lado.
Termino de me trocar, saio e vou perguntar a Karabá por que aquilo.
– Por que tenho esses cortes?
– E o seu Odu?
— Odu? — ela respira fundo.
– E o odu de Ogum e Bará?
— E você precisava fazer isso?
– Sim, agora podem ir. Não se esqueçam do pequeno. – Peguei o pequeno.
– Quando te devo?
— Já paguei, chefe? — Dayo diz e faço um sinal positivo de cabeça.
Já estávamos na porta quando Karabá segura o meu braço e me faz abaixar um pouco. Ela segura o meu rosto e fica olhando dentro dos meus olhos.
— Não acredite em tudo que ver, acredite nas palavras dela. Vão querer separar vocês de novo. Quando tiver dúvidas, converse com ele — ela aponta para o pequeno nos meus braços. Ele vai saber, sempre confie nele, ele tem extintos que você não tem — ela solta meu rosto —. Aproveita e dá um nome para ele — ela fecha a porta praticamente na minha cara.
Vou pro carro e seguro o pequeno, que parece ainda estar dormindo, mas, na verdade, ele abre um olho e depois fecha. Acabei rindo.
– Espertinho.
— Qual vai ser o nome, chefe? — fico olhando para o pequeno nos meus braços.
– Bará